papa  franc exort apost3No dia 24, segundo dia de actualização pastoral, o Padre Alexandre Lopes falou da  ‘ Teologia do Povo’  na visao do Papa Francisco. A teologia argentina  do povo foi foco de interesse como nunca tinha sido antes. O Papa Francisco não é um dos seus ideólogos mais importantes, mas sim um dos seus intérpretes mais destacados, desde que estava em Buenos Aires, e a ofereceu ao mundo na sua exortação apostólica “Evangelii gaudium”. A palavra “povo” é citada 164 vezes no documento: povo de Deus, povo fiel de Deus. …  E o conjunto dos fiéis é infalível no crer, e manifesta esta sua infallibilitas in credendo mediante o sentido sobrenatural da fé de todo o povo que caminha….

1.      Uma Igreja pobre, participativa, missionária e acolhedora

O Papa Francisco deseja uma Igreja participativa, aberta, descentralizada e disposta a assumir riscos, menos preocupada com a conformidade doutrinal, menos clerical. Mas acima de tudo, centrada em Cristo.

A Evangelii gaudium é, essencialmente, um documento pastoral, mas literalmente é isto também: o papa que exorta alegremente o seu rebanho a repensar quase tudo o que faz em busca do seu objectivo-chave, a evangelização.

Uma Igreja pobre

O Papa não fala dos pobres num sentido negativo: mas na “fé simples dos romeiros” ou, como costuma dizer, “o povo fiel de Deus”, uma fé simples capaz de ser partilhada. E ele sabe muito bem que este povo simples, na sua grande maioria, é pobre e sofre com a “cultura do descartável”.

1.1.“A conversão pastoral”: Uma Igreja mais participativa

Sonho, diz o Papa na Exortação Apostólica, com a opção missionária capaz de transformar os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem num canal de evangelização do mundo actual e não apenas um instrumento da sua auto-preservação.

O primeiro passo para a realização do sonho é a “conversão pastoral” que Francisco indica como prioridade para toda a Igreja. “A conversão pastoral” em Francisco vai, antes de mais nada, muito além das mudanças meramente “estruturais” na Igreja. Ela se refere principalmente a “mudanças de atitudes”.

Para o Papa Francisco, as mudanças de atitudes (a “conversão pastoral” propriamente dita) devem seguir o seguinte roteiro:

a) uma Igreja que quer ser discípula missionária precisa “des-centrar-se”, sair de si e ir para as “periferias existenciais”;

b) para isso é necessário que a Igreja assuma a mesma postura da Virgem Maria: exercitar a maternidade, deixando de ser controladora para ser servidora e transmissora da fé;

c) daí, uma aproximação que toma a forma de diálogo para criar uma “cultura do encontro”;

d) neste sentido é necessário que tenhamos bispos-pastores com “cheiro de ovelhas”, próximo do povo, que amem a pobreza, sem a “psicologia de príncipes”.

A opção pela missionariedade do discípulo, sofrerá tentações que podem até fracassar, o processo de conversão pastoral. Algumas tentações:

1) A ideologização da mensagem evangélica.

a) O reducionismo socializante

b) A ideologização psicológica.

c) A proposta gnóstica

d) A proposta pelagiana

2) O funcionalismo.

3) uma outra tentação é o que o papa Francisco chama de “clericalismo”.

1.1.Uma Igreja missionária: as periferias

Numa das reuniões em Sede Vacante com os Cardeais, antes da eleição do novo Papa, o cardeal Bergoglio ao falar sobre o perfil e as primeiras obrigações da Igreja, disse: “A evangelização é a razão de ser da Igreja… A Igreja está chamada a sair de si mesma e a ir para as periferias não só geográficas, mas também as periferias existenciais: as do mistério do pecado, as da dor, as da injustiça, as da ignorância, da indiferença religiosa, as do pensamento, as de toda a miséria… quando a Igreja não sai de si mesma para evangelizar torna-se auto-referência e então adoece… numa espécie de narcisismo teológico”.

Áreas a privilegiar:

A Igreja que faz sua a opção pelos pobres.

– A proposição do Evangelho não consiste apenas na relação pessoal com Deus (nº 180), mas abrange o desenvolvimento de todo o homem e do homem todo.

– os migrantes, os trabalhadores clandestinos, as mulheres, e as crianças que sofrem violência, sobretudo as que estão para nascer – nº 213 – enfim todas as pessoas ameaçadas por uma economia exclusivamente centrada no lucro, todas devem ser considerados na evangelização.

Há uma necessidade imperiosa de evangelizar as culturas para inculturar o Evangelho”

O Papa Francisco pediu aos bispos e padres para darem tempo aos jovens

-“Promover a cultura do encontro”

 

1.1.Uma Igreja acolhedora: Igreja de compaixão e misericórdia

Respondendo às questões do director da revista dos Jesuítas diz: “aquilo de que a Igreja mais precisa hoje é a capacidade de curar as feridas e de aquecer o coração dos fiéis, a proximidade. Vejo a Igreja como um hospital de campanha depois de uma batalha. É inútil perguntar a um ferido grave se tem o colesterol ou o açúcar altos. Devem curar-se as suas feridas. Depois podemos falar de tudo o resto. Curar as feridas, curar as feridas… E é necessário começar de baixo”.
Os ministros do Evangelho devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de saber dialogar e mesmo de descer às suas noites, na sua escuridão, sem se perder

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