No passado dia 09 de Junho de 2013 a Diocese de Santiago ganhou uma nova Paróquia: a Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, com sede na Praia e abarcando nove comunidades. Três meses depois da sua criação e tomada de posse, conversámos com o pároco, o padre José Eduardo Afonso para saber como está a ser esses primeiros meses de vida da mais nova paróquia da Diocese de Santiago.

 Como avalia estes três meses de trabalho a frente de uma paróquia que nasceu agora e que está dar os primeiros passos?

A avaliação que faço é positiva. Bastante positiva. Desde a tomada de posse a nossa prioridade tem recaído na pastoral da escuta e atendimento por forma a conhecermos melhor as pessoas para quem fomos enviados. Para além da Pastoral de escuta e atendimento, temos apostado na Pastoral de Proximidade. E isso temos estado a concretizar com visitas às comunidades, encontros com os membros do Conselho de Comunidades, grupos e movimentos. Tudo isto com o objectivo de conhecermos em “profundidade, altura e largura” a paróquia e perceber os anseios, as preocupações, as alegrias e os desafios da nossa paróquia por forma a podermos propor caminhos de fé e adesão a Jesus Cristo, que vai ao encontro daquilo que a paróquia realmente é. No fundo estamos focados em conhecer o estus quo da nossa comunidade

Em termos da estrutura (pastorais) como está organizada a paróquia?

A paróquia ainda, ao nível da estrutura pastoral está por organizar. Há pastoralistas que defendem que os primeiros anos do padre numa comunidade paroquial não é para fazer mudanças e/ou alterações ao que se fazia ou estava implementado anteriormente, mas sim conhecer. Porém, como a nossa paróquia foi recentemente criada, preciso de alguma estrutura pastoral, de facto. Nesse sentido estamos em contacto permanente com as comunidade, ocultando-as e recolhendo informações de pessoas que nos poderão ajudar em lugares e/ou serviços apropriados para dar os primeiros passos. Pensamos que até meados do mês de Outubro teremos as diversas comissões pastorais já constituídas. Comissões pastorais para a catequese, juventude, liturgia, acção sócio caritativa, família…

Em termos de infraestruturas físicas (que até a tomada de posse praticamente não haviam) – como está a paróquia neste sentido?

Está na mesma. As estruturas Pastorais físicas é o grande calcanhar de Aquiles da nossa paróquia. Não temos sequer espaços para celebrarmos, para reunirmos em grande escala. Mas acreditamos que só estruturas físicas não fazem igreja. Quem faz a igreja são as pessoas e nisso somos fortes. Temos muita gente qualificada empenhada, dedicada e disposta a colaborar. É isso que nos tem animado. Porém, pensamos dar passos no sentido de começarmos a elaborar projecto de arquitectura, primeiramente da igreja paroquial, depois Salão Paroquial e por último casa paroquial.

Tendo em conta a grande dimensão da paróquia (que engloba varias comunidades problemáticas) que desafio/ dificuldades tem encontrado nestes primeiras meses de missão? Como ultrapassá-los?

De fato a paróquia é muito extensa, quer geograficamente como existencialmente falando. Temos nove (9) comunidades e agora sentimos a necessidade de dividirmos a comunidade de Safende e daqui a nada vai ser a comunidade de S. Paulo, este em relação a comunidade de Cruz Marques. Os desafios são muitos, na verdade. As vezes o problemas prendem-se com a definição por onde começar. Pensamos que de entre os desafios e prioridades estão aqueles que a nossa Diocese nos apontou para os próximos três anos. Desafios esses que pensamos que foram traçados pensando na nossa comunidade. Desde logo está a família, grupos vulneráveis e de risco, pastoral social, etc.

O que já se consegui até agora?

Nada. Nada conseguimos ainda. Ou melhor, já conseguimos muito. Hoje já consigo penetrar em qualquer bairro da nossa paróquia e não passo despercebido. Já se começa a ver sinais de sentido de pertença à paróquia. Já se começou a movimentação em atenção ao ano pastoral. Aqui e acolá já se começa a haver criatividade na forma de viver a fé… Enfim, estamos a dar passos, que julgo serem seguros para o que pretendemos.

Com o trabalho prático no terreno e a constatação da realidade das comunidades que constituem a paróquia, quias são as prioridades?

Prioridades nossas são as que a Diocese traçou para os próximo três anos. É claro que a forma de concretizar deverá ser bem pensada para ser menos teórico e mais existencial possível.

Como está a ser para ti, este desafio?

 Ser pároco nesta cidade é muito diferente de ser pároco na ilha do Fogo. Lá, por serem comunidades pequenas, comparativamente com a paróquia da qual agora sou pároco, podia-se estar mais próximo dos paroquianos, podia-se desenvolver mais empatia entre e com as pessoas, coordenar melhor os sectores pastorais de modo mais eficaz, pastoralmente falando. Mas nada doutro mundo. A experiência está a ser óptima. É preciso “mudar de registos”, adaptar para poder evangelizar.

Como tem sido a participação/ o envolvimento dos paroquianos na vida paroquial?

Como já disse antes, o que nos tem dado maior satisfação é a certeza de podermos contar com muita gente e gente qualificada. Tem havido muita abertura, muita disponibilidade e prontidão para o serviço. É preciso agora sincronizar e sintonizar ideias, formas de participação, serviços e presença com o que queremos e pretendemos em conformidade com os ensinamentos e orientações da Igreja e do nosso bispo.

Que interesse e que papel tem desempenhado a juventude no desenvolvimento desta paróquia?

Como sabe, a juventude é força, pujança, alegria, dinamismo, criatividade… E estando numa paróquia em que uma grande parte de pessoas é jovem, claro que temos que elaborar estratégias de participação dos jovens na vida da nossa comunidade paroquial. Acredito muito neles e espero poder contar com tudo o que têm e significam para podermos evangelizar a nossa paróquia fazendo novos discípulos, já agora fazendo alusão ao lema dos próximos três anos: Ide e fazei meus discípulos.

Que atividades tem a Paróquia realizado desde sua criação até agora alguma atividade e que queira destacar?

Temos estado a fazer muitas atividades. Desde momentos de partilha, convívio, tardes de chá, até a encontros de carácter mais formal, como é o caso da I Assembleia de Catequistas que realizamos no passado dia 22 de Setembro, sob o lema “Catequista torna-te naquilo que és”. Este evento contou com a ajuda do P.e João Baptista onde procuramos refletir sobre que catequese nós queremos para hoje e que vá de encontro à realidade concreta da nossa comunidade paroquial.

Brevemente vai ter lugar a festa da Santa Teresa do Menino Jesus (Safende) como estão os preparativos e como vai ser a celebração?

A festa de Santa Teresa do Minino Jesus é uma das várias festas que temos vindo a realizar nas comunidades. Já celebramos a festa de Nossa Senhora Rainha em Ponta d’Água, com muitas actividades e com um elevado número e nível de participação. Agora vamos celebrar a Festa de Santa Teresa de Menino Jesus, em Safende e neste âmbito muitas atividades têm sido feitas: desde tarde de chá, novena, laudes perene (adoração do Santíssimo durante o dia todo), show de música, entre outras. No passado dia 25 passei todo o dia na comunidade de Safende, contactando com pessoas e instituições sediadas naquele bairro. Pude encontrar com os jovens, conversar com eles, ouvi-los. Enfim, muitas atividades estão sendo feitas.

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