Marina Almeida, Secretária Geral da Cáritas Cabo-verdiana, durante a plenária que te trouxe "à baila" a problemática do alcoolismo.

 

A Formação e Reciclagem em Pastoral Social foi “uma iniciativa importante porque é uma oportunidade de “refrescarmos” este imperativo, esta dimensão da pastoral, e não ficarmos apenas com a parte do anúncio da palavra e dos sacramentos” afirmação feita em jeito de conclusão pelo Pe. José Mário, responsável de 4 (quatro) paróquias no norte da ilha de Sto Antão.

Esta formação que esteve a cargo da Caritas cabo-verdiana em parceria com a luxemburguesa ministrada aos padres e agentes pastorais, de 22 a 24 de Fevereiro último, foi recebida como algo de positivo pela maioria dos participantes, como sublinha Pe. Nuno Rodrigues, da Paróquia de São Miguel Arcanjo, no Interior de Santiago.

Dom Arlindo, presidente CCV Dom Arlindo, intervem na conclusao do Encontro

“Foi positivo na medida em que levou-nos a consciencializar como é que temos de praticar o exercício da caridade, a atenção aos mais pobres, a justiça e outros níveis de desempenho dentro das nossas paróquias” refere.

No encontro que se pode discutir âmbitos diversos presentes em cada uma das paróquias tais como o desemprego, a habitação ou a falta dela, o alcoolismo e as instabilidades que pode causar a própria vida familiar, viu-se também as implicâncias disto tudo para a Pastoral Social e seus agentes e aquilo que cada paróquia poderá fazer perante cada uma dessas dificuldades, já identificadas e conhecidas.

Por isso, afirma Pe. Nuno, “o que podemos fazer de concreto, foi ressalvado muito bem nesta formação, é “procurar apostar forças para que a Caritas funcione nas paróquias, e é este tambem o apelo da Secretária Geral da Caritas Cabo Verde, Marina Almeida, foi muito claro neste sentido, confirma este padre que diz estar numa paróquia é marcada por uma dupla interioridade.”

È o mesmo padre que diz ser necessário a Pastoral Social e a Caritas funcionarem através das comissões paroquiais e das antenas espalhadas pelas várias localidades, capelanias ou comunidades porque “havendo um bom funcionamento da Caritas a nível paroquial, penso que em sintonia com a Caritas da diocese ou nacional, podemos levar a cabo e à prática consciencialização de algumas áreas muito importantes como debatemos aqui neste encontro”.

Para a paróquia de S. Miguel as principais questões levantadas têm a ver com a atenção e a vulnerabilidade da  família, a questão do alcoolismo e do desemprego, “áreas na minha opinião, muito importantes e fundamentais, porque não se pode negligenciar a questão do bem-estar da pessoa humana, que passa pela habitação mas também pelas condições de higiene e de saúde”  ressalta o pároco de S. Miguel.

Pe. José Mário, pároco que anima um maior número de paróquias em Cabo Verde

Esses mesmos temas têm importância destacada pelo Pe. José Mário, principalmente no que respeita ao alcoolismo, que é uma preocupação muito particular  em Sto. Antão, ilha que produz a maior quantidade de aguardente a nível do país. Diariamente estou a ver jovens a perder saúde, famílias a desestruturarem-se por causa dos filhos e demais membros que fazem o uso exagerado de bebida alcoólica, particularmente do aguardente”, confidencia.

Segundo o ponto de vista deste pároco que está à frente do maior número de paróquias a nível nacional, é imperativo uma atitude a nível do Estado “através do controle da qualidade e do consumo do álcool, assim como da fiscalização da produção do grogue nacional, sem esquecer os seus derivados”

Para este padre,  é por ausências de medidas destas que continuamos a assistir a situações lamentáveis no que respeita a produção, armazenamento, comercialização e consumo de tal líquido. Desta feita a imposição de um valor acrescentado da aguardente, acredita, que o “peso no bolso” poderia inibir o muita gente de o consumir, pelo menos de forma exagerada como vêm fazendo com preços tão baixos como está.

Ambos os párocos são de opinião que esta formação permitirá uma maior desenvoltura no terreno, porque estando claras as dificuldades a “atacar” , ou mesmo aquelas que irão ser identificadas por cada paroquia, “haverá trabalho e horizontes a abrir e a concretizar na comunidade tendo em atenção essas directrizes e esses problemas que foram discutidos e aprofundados aqui.”

O Pe Erny e o Sr.Patrick, orientadores da formação

No entanto o teólogo e formador Patrick Godar alerta para a o facto de “cada situação exigir uma reflexão própria, pelo que não existem esquemas”. São questões de justiça e política económica que vão para além da simples pessoa que vive “aqui”, afirma.

Por isso uma das tarefas da Pastoral Social, diz Godar, além da ajuda concreta, com certeza é também é a ‘advocacia’, na medida em que é uma luta pelos direitos. Muitas vezes uma ajuda concreta nunca pode resolver tudo. A Pastoral social deve ser conectada ao problema que provoca e produz a pobreza, explica.

No final, quer Patrick Godar quer o Pe. Erny Gillen, presidente da Caritas Luxemburguesa, partilharam da  opinião que apesar de todas as dificuldades com que a condição de ilhéus presenteia os cabo-verdianos, assim como a diversidade de situações sociais que a pastoral enfrenta em cada uma das paróquias, o país pode ser um exemplo de superação dos desafios e de empenho na área social. Ve-se isso tanto na sobrecarga dos Padres como no envolvimento dos paroquianos. Isto faz com que Cabo Verde seja exemplo para países tão diferentes, como Luxemburgo, conclui Patrick Godar.

AJL

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