A notícia do Concílio foi ocasião de grande alegria em todo o mundo. Não tanto assim na Cúria Romana, que julgava desnecessário e perigoso para a paz na Igreja.

Autor: Dom António Marcelino,Bispo Emérito de Aveiro

Passados 50 anos, pode parecer que o Concílio é um acontecimento do passado, com o qual não se deve já perder tempo. Ora, não é assim. Ainda em Outubro, Bento XVI dizia que os documentos do Vaticano II são a bússola que indica o rumo.

Em 1959, o Papa João XXIII anunciou urn Concílio e, depois, convocou-o, em 1961, com o objectivo de renovação da Igreja, do seu regresso as origens, da sua abertura as outras confissões religiosas e ao mundo rnoderno, objectivo que persiste e é, hoje, não menos exigente que então.

Foi o 21° Concílio Ecuménico, passados mais de quatrocentos anos do Concílio de Trento, de grande influência na Igreja, e cerca de cem anos depois do Vaticano I, que se limitou a afirmação do primado do Papa e foi encerrado sem se poder concluir, devido a acontecimentos ligados a ocupação dos estados pontifícios. No Vaticano II participaram 2 mil 540 bispos de todo o mundo, enquanto que, em Trento, apenas puderam estar 258, quase só europeus.

Depois de cuidadosa preparação, o Concílio teve as suas sessões plenárias entre 21 de Outubro de 1962 e 8 de Dezembro de 1965. Nestas foram votados quatro Constituicões, nove Decretos e três Declarações. Iniciado ainda por João XXIII, que fora eleito Papa já com 78 anos, mas que sentia pressa de que as coisas andassem, o Senhor o chamou em Junho de 1963, no intervalo entre a primeira e a segunda sessão, sem que tivesse sido votado e promulgado qualquer documento conciliar. O Papa deixou a Igreja, além da iniciativa do Concílio, duas grandes encíclicas: Mater et Magistra (1961) e Pacem in Terris (1963), que foram e continuam a ser uma luz orientadora para a Igreja e para a sociedade.                                                     

Paulo VI foi eleito ainda em Junho, após um breve conclave, e decidiu, de imediato, a continuação do Concílio, fixando como tema central do mesmo: «A Igreja no mundo de hoje». No discurso de abertura da segunda sessão conciliar, a 29 de Setembro de 1963, assinalou as quatro metas do Concílio: 1) aprofundamento da natureza da Igreja; 2) renovação interna da Igreja; 3) regresso a unidade dos cristãos separados; 4) diálogo da Igreja com o mundo. Tratava-se de assumir Os objetivos de João XXIII, agora com a autoridade do novo Pontífice.

A notícia do Concílio foi ocasião de grande alegria em todo o mundo. Não tanto assim na Curia Romana, que o julgava desnecessário e perigoso para a paz na Igreja. Bispos de todo o rnundo, fora dos problemas e desconhecedores da realidade eclesial universal, a maioria deles sem nunca terem vindo a Roma e vivendo muito isolados nas suas dioceses, pouco podiarn fazer e muito podiarn complicar. Não pensaram assim João XXIII, nem Paulo VI. O Concílio iniciou-se, prosseguiu e foi considerado por João Paulo II, e não apenas por ele, como o maior acontecimento da história da Igreja no século XX.

Muitas comunidades cristãs de vários países acompanharam os seus bispos na preparação do Concílio e durante a sua realização, com a oração e, depois, com a reflexão que os diversos documentos exigiam e pediam se fizesse nas diversas dioceses. Este foi um tempo muito enriquecedor da vida cristã das comunidades diocesanas.

O património doutrinário e espiritual que o Concílio legou a Igreja e a sociedade é muito rico. Passados cinquenta anos, verificamos que não estariamos onde estamos, em vários aspectos da vida pastoral e da missäo eclesial, não fora o Vaticano II. Não apenas no campo litúrgico, o mais sensivel pelas mudanças operadas, mas em tantos outros campos da vida da Igreja e dos cristãos. Podemos dizer ainda que o Vaticano II é um acontecimento irreversível e o caminho de fidelidade a este dom de Deus obriga-nos a conhecer as suas orientações, com o compromisso de as seguirmos, no que a cada urn diz respeito.

Neste sentido, o Mensageiro vai, ao longo deste ano jubilar, procurar que o conhecimento do Concílio possa chegar a muitos cristãos aos quais não chegou, de modo a sentirem a graça deste acontecimento e as riquezas que ele cornporta para si e para toda a Igreja.

Foi-me pedida esta colaboracão. Procurarei escrever de modo a que todos acolham a mensagem, a saboreiem e a levem a outros que a não conhecem e a ela tem direito.

Fonte: O  Mensageiro

Autor: Dom António Marcelino, Bispo Emérito de Aveiro

 

2 Responses to “O Concílio Vaticano II continua actual”

  • josé benvindo lopes:

    Parabéns Diocese de Santiago de Cabo Verde extensivo ao seu Bispo D. Arlindo Furtado e demias colaboradoes bem assim os fiéis leigos.
    Ben haja!

  • josé benvindo lopes:

    Houve um engano, em todo o caso os parabés vai para o Concilio que por mera coincidência somos da mesma idade.

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