“O Congresso tem como principal objectivo despertar, antes de mais, nos leigos católicos, o espírito de co-responsabilidade e de empenho indispensáveis na missão de anunciar Cristo no grande Continente africano. Ser missionários e testemunhar a própria fé fazem partem da nossa identidade cristã. Toda a Igreja é, por natureza, missionária. E nos nossos tempos, a missão evangelizadora da Igreja em África enfrenta desafios difíceis, é chamada a confrontar-se com cenários novos e, de certo modo, inéditos, no âmbito religioso, cultural, social, económico e político. Um dos objectivos principais do nosso Congresso será precisamente tentar analisar atentamente estes desafios e reflectir sobre as respostas que o laicado católico poderá dar à esses desafios”.

Qual é o papel do laicado na tarefa da nova evangelização e porque é tão importante não perder de vista a doutrina social da Igreja nesta missão?

“Os fiéis leigos desepenham um papel de primária importância na nova evangelização no continente africano. Basta recordar os numerosos catequistas leigos – verdadeiras pilares das comunidades cristãs em África. É tarefa dos leigos assumir a sua parte de responsabilidade na vida das comunidades cristãs. Todavia, a sua missão principal – graças ao carácter secular da sua vocação – é a de difundir o Evangelho no mundo. A Exortação pós sinodal Africae Munus define os leigos como “embaixadores de Cristo” no espaço público e no coração do mundo. Eles são o sal da terra, a luz do mundo, o fermento do evangélico, que transforma a realidade temporal a partir de dentro. Daí a importância da Doutrina Social da Igreja que não deve ser entendida como um acessório, mas como parte integrante da missão evangelizadora da Igreja”.

Quais são os objectivos específicos deste Congresso, no que diz respeito à realidade africana?

“O Congresso quer ser um momento de escuta atenta daquilo que o Espírito Santo está a comunicar à Igreja em África neste momento e, em particular, através dos dois Sínodos dos Bispos dedicados à África: o Sínodo de 1994 e o de 2009. Ao mesmo tempo, o Congresso entende pôr-se à escuta da África, uma terra que está a atravar profundas transformações e graves desafios como a pobreza, a fome, as guerras fratricidas, fundamentalismos religiosos que cada vez mais desembocam em actos de autêntica perseguição anti-cristã, a secularização e a invasão da cultura pós-moderna ocidental que põe em crise tanto os valores autênticos das culturas tradicionais africanas como a própria identidade da África. Mas, ao mesmo tempo, a África está repleta de grandes esperanças. Queremos redescobrir e valorizar as várias riquezas espirituais deste continente que podem servir a humanidade inteira. Por outras palavras, queremos realizar um Congresso de esperança, porque – como nos ensina o Papa Bento XVI – os leigos católicos em África devem ser, de modo especial, “servidores da esperança”, aquela esperança radicada em Cristo, Senhor da história”.

Bento XVI definiu a África como um grande pulmão espiritual e um continente da esperança. No entanto, a Igreja africana, num certo sentido, é ainda bastante jovem?

“Sim, a Igreja em África é jovem sob diversos pontos de vista. É jovem porque a maior parte da população africana é jovem e isto constitui uma grande riqueza humana para este continente, um motivo de esperança. A Igreja em África é jovem, por outro lado, porque na grande maioria dos países, o primeiro anúncio do Evangelho chegou há menos de duzentos anos atrás. A fé deste continente requer, portanto, de ser adequadamente consolidada. A Igreja em África é jovem também porque está a crescer incessantemente. No início do século XX os católicos eram menos de dois milhões e nos finais deste século, atingiram os cento e quarenta milhões. Segundo o recente Anuário Estatístico, os católicos em África são 185 milhões, isto é, 18% da população total do continente. Estes números indicam o forte dinamismo da Igreja em África, um dinamismo que, como diz o Papa Bento XVI, se exprime na frescura do sim à vida, na frescura do sentido religioso e da esperança. A África, segundo o Papa, é uma reserva de vida e de vitalidade para o futuro. Mas é preciso ter presente que tudo isso exige um forte empenho afavor da nova evangelização”.

Reforçar o laicado na própria identidade cristã. Quais são os sectores mais importantes para a formação do laicado africano?

“Um dos objectivos principais do nosso congresso é próprio o de reforçar e consolidar a identidade cristã do laicado católico da África. Queremos que este congresso seja um instrumento que ajude os leigos africanos a redescobrir a beleza da sua vocação e da sua missão na Igreja e no mundo. E isto significa redescobrir a importância do Baptismo, o sacramento do qual nasce toda a vida e a missão de um cristão. Formar os leigos adultos significa ajudá-los a viver profundamente a realidade do Baptismo. S. Leão Magno diz: “reconhece, cristão, a tua dignidade”, isto é, a tua dignidade baptismal. É formação, por outro lado, procurar estimular os leigos a encontrar realmente Cristo na vida, um encontro fundamental para cada cristão. Como afirma o Papa Bento XVI: “no início do ser cristão não existe uma decisão ética ou uma grande ideia, mas sim, um encontro com um evento, com uma Pessoa que dá à nossa vida um novo horizonte e com isso a justa direcção”. Finalmente, reforçar a identidade dos leigos comporta também redescobrir a importância e a beleza do carácter secular da vocação laical, que consiste próprio no empenho de transformar o mundo segundo o espírito do Evangelho. Por isso os leigos católicos devem ser os verdadeiros protagonistas e os promotores da justiça, de reconciliação e de paz no continente africano, ser embaixadores de Cristo também na vida pública, também no mundo político, um âmbito particularmente exigente hoje em dia em África”.
Que significado assume o Ano da Fé no continente africano e que impacto, se espera, possa ter nas sociedades africanas?

“O Ano da Fé recorda-nos aquilo que é fundamental para a existência de um cristão. O Papa Bento XVI adverte-nos dizendo que as vezes nos preocupamos com ânsia das consequências sociais, culturais e políticas da fé, dando por certo de que a fé já existe. Ora, isto, infelizmente, segundo o Papa, está a tornar-se cada vez menos realista também em África. Na formação do laicado, portanto, é necessário partir sempre do essencial, isto é, de Deus, daquele Deus que se revelou no rosto do seu Filho, Jesus Cristo. É necessário partir da fé. Daí a grande importância do Catecismo da Igreja Católica, que deveria tornar-se num companheiro de vida de cada leigo católico. A ignorância da fé é um grave perigo para os católicos não só em África. O nosso congresso propõe-se, portanto, lançar um apelo aos leigos católicos africanos para que procurem conhecer mais a fé, a sua beleza, a sua racionalidade”.

Que importância adquirem, no contexto social e espiritual africano, os movimentos eclesiais?

“O lugar principal da formação dos leigos, para além da família cristã, são as paróquias. Nos nossos tempos, porém, a paróquia tem necessidade de ser ajudada nesta tarefa por uma ampla rede de comunidades. Em África dá-se muita importância às comunidades cristãs de base que desempenham um papel significativo na formação. Todavia, é necessário valorizar as novas formas de agregação dos fieis leigos, fruto do Concílio Vaticano II, que encontra a sua expressão nos novos carismas através dos quais nascem os movimentos eclesiais e a comunidade. É este, um motivo de grande esperança para a Igreja africana. O Beato João Paulo II viu nos movimentos e nas novas comunidades, realidades dotadas de um grande dinamismo missionário, um verdadeiro dom de Deus para a nova evangelização. E o Papa Bento XVI solicitou os pastores a irem ao encontro destas realidades com grande amor. É muito vasta a fileira dos leigos – homens e mulheres, jovens a adultos – que também em África, graças a estes novos carismas, descobriram a alegria da fé, a fascinante beleza de ser cristãos”.

Quais são os frutos obtidos dos precedentes Congresso sobre os leigos nos outros continentes, Ásia, por exemplo?

A organização dos congressos continentais ou regionais do laicado católico constitui, durante vários anos, uma actividade relevante do Pontifício Conselho para os Leigos. Em África reuniões semelhantes foram organizadas duas vezes no passado: em 1971 e em 1982. Há dois anos atrás, organizamos um congresso dos leigos católicos de Ásia em Seul, na Correia do Sul. Os que participam destes encontros vivem uma experiência de Igreja como mistério de comunhão missionária: leigos, bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas, todos unidos no mesmo amor a Cristo e à Igreja e prontos a anunciar o Evangelho no mundo que os circunda. Cada congresso é uma semente que pretende despertar nos leigos católicos, sobretudo naqueles que vivem nos lugares onde os cristãos são uma minoria, a consciência da vocação e da missão recebida; pretendem despertar a coragem para um testemunho cristão explícito e persuasivo, que dê motivo de esperança que cada cristão leva consigo, dentro de si. Estes congressos querem dizer aos leigos católicos, “não estais sozinhos; não estais abandonados, fazeis parte da grande família dos discípulos de dimensão planetária, que é a Igreja católica”. Creio que sejam estes, os frutos principais gerados pelos congressos até agora realizados e faço votos de que sejam também os frutos do próximo congresso dos leigos católicos nos Camarões”.

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