Organização e participantes dão nota positiva do I Fórum Diocesano da Família

O Centro Paroquial de Nossa Senhora da Graça na Praia acolheu, de 20 a 22 de Julho de 2012, o I Fórum Diocesano de Família. Uma iniciativa do Secretariado Diocesano da Família da Diocese de Santiago em parceria com a Comunidade Emanuel, que visou reflectir sobre a realidade actual da família. Foram três dias intenso, onde foram debatidos vários temas que abordaram a realidade da família cabo-verdiana e no mundo, face ao contexto actual. Um encontro que, segundo os participantes, há muito era necessário.

O evento contou com a participação de cerca de 200 pessoas, de entre as quais, representantes de todas as paróquias das ilhas de Santiago e Fogo (Maio e Brava não puderam participar, por falta de transporte que liga essas ilhas á Praia. O evento reuniu casais unidos pelo matrimónio, ouros casados apenas no civil e também mães solteiras.

“Trazer estes casais unidos civilmente ou em união de facto, fazê-los participar neste encontro é também uma razão de fazê-los reflectirem. Há muitos casais que estão a viver há 10, 15 anos juntos, amam-se reciprocamente, têm filhos mas, não contraem matrimónio. O que está a faltar para O sacramento do matrimónio? Estas pessoas têm em fé, crêem em Deus, são católicos e reconhecem o valor de todos os sacramentos. O que falta? É confiança um no outro? Penso que não e que uma das razões poderá ser o custo da festa que se faz a volta do casamento. É um assunto que temos de estudar melhor e dar resposta. Quanto às mães solteiras, pensamos naquelas que assumem, sozinhas, o papel de mãe e de pai, porque o pai é ausente, porque está morto ou não assume a paternidade”, justifica o padre Lourenço Rosa, assistente espiritual do SDF.

Para além de formadores cabo-verdianos que fazem parte da comunidade Emanuel em cabo-verde, mais dois casais franceses e um padre vindo da Bélgica, também quiseram partilhar conhecimento e dar seu contributo neste evento dedicado as causas da família.

“Foi um encontro enriquecedor em termos de novos conhecimentos, aprendemos com as pessoas que vieram de fora, os peritos na matéria de família, sobre a educação dos filhos, a vivência em comum, momentos íntimos, até a linguagem da sexualidade foi abordada. Há casais com certo receio em vez de falar claro de determinados assuntos, por exemplo a sexualidade, aqui aprendemos que é necessário conversar sobre estes assuntos e ser claros sobre a relação a dois”, Pedro Fortes, participante.

Dos 200 participantes, o Fórum contou com uma presença surpreendente de jovens casais. Que na visão do padre Lourenço Rosa, “significa que os jovens também estão cada vez mais a consciencializar-se de que a melhor maneira de se realizar a vocação matrimonial é através do sacramento do matrimónio”.

“Esta formação vai ajudar-nos muito nós que somos recém-casados. Foi muito bom, muitos casais dizem que a Igreja incentiva jovens a casar-se. Há uma preparação inicial para o casamento mas depois de casado não há um acompanhamento, formação de continuidade que parar para a vida a dois. Neste fórum jovens casais encontram forças em outros casais e encontram forças para viverem seus casamentos. Como homens muitas vezes caímos em tentação, sabendo como a nossa sociedade está hoje. Então juntos, neste tipo de encontros e como casais, encontramos força nos outros para continuar. Os temas que foram tratados mostram-nos como viver o nosso casamento de forma a sermos felizes”, Dulce Costa.

No final dos três dias várias recomendações ficaram, no sentido de dar um novo alento às famílias cristãs e cabo-verdianas. Recomendações, estas dedicadas ao SDF, À Diocese, ao Governo e a própria família. Todos devem dar mais atenção e fazer algo mais em prol de uma família mais saudável e cumpridora de seu papel como célula base da sociedade, tudo porque tendo uma família sã, teremos uma sociedade também mais saudável, mais respeitador e cumpridor dos valores essenciais a vivência familiar e social.

“Sentimos que esta é uma das nossas missões enquanto igreja: fazer com que as famílias sintam esperança e alegria de viver juntos em que o matrimónio é visto de uma maneira que realmente faz as pessoas felizes. Desta formação há desafios que já assumimos porque é necessário que quando fazemos uma formação, ela não morra lá, é como uma semente que se lança ao solo que tem que se transformar em outra coisa. Há várias ideias que já foram adiantadas de como fazer frutificar a semente que já está lançada. Neste encontro havia muitos casais que vivem junto em união de facto, alguns deram o testemunho que ao conhecer pessoas casadas há 20, 30 anos, sentiram contagiados e disseram que no próximo Fórum certamente estarão casados para dar o testemunho, isto é um grande fruto”, Rito Teixeira, Comunidade Emanuel.

Um fórum dinâmico e enriquecedor, onde foi partilhado conhecimento doutrinal, teológico, sociológico, filosófico sobre  a família. Foi também momento de interiorização, de adoração, escuta da palavra, do silêncio. Os presentes participaram no sacramento de reconciliação, “tudo isso é uma riqueza para o casal participante”, diz o padre assistente. Dos que participaram espera-se que sejam fermento no meio da massa nas suas paróquias. Que saibam partilhar com os vizinhos, familiares e amigos o que apreenderam durante o fórum. Nas paróquias onde ainda não existe um Secretariado da Família, que aproveitam os representantes do Fórum para dinamizar um grupo que dinamize a pastoral familiar nas paróquias.

Ficou a promessa que o próximo Fórum Diocesano da família vai ser realizado daqui a dois anos, ou seja em 2014.

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