Cinco anos depois de sua morte, o padre Pimenta continua vivo na memória de muita gente. Na passada sexta feira, 23 de Junho de 2012, um grupo de amigos, paroquianos e fiéis, realizaram uma vigília de oração em memória do saudoso sacerdote. Pouco mais de 50 pessoas estiveram presente naquele momento de homenagem ao padre Pimenta, realizada no Altar do Cruz do Papa na quebra Canela. Como disse o padre José Álvaro que coordenou a vigília, “somos poucos, mas somos muitos, tendo em conta a variedade das pessoas, a hora e o local. Conta sobretudo o facto de cada um ter escolhido vir a esta vigília».

Emocionadas, várias pessoas deixaram o seu testemunho sobre o homem, o padre, o amigo, o conselheiro que foi padre Pimenta nos 51 anos que viveu em Cabo Verde. No final da cerimónia que foi preenchida com oração, cânticos e leituras bíblicas, foi passado um vídeo sobre a comemoração dos 50 anos de sacerdote do pe. Pimenta realizada na Praia. Na altura, o padre apresentando com vivacidade a sua mensagen, incentivava os jovens a serem “puros”. O momento de muita emoção serviu, de alguma forma, para matar saudades, para relembrar o padre.

Eis os testemunhos das pessoas sobre o Padre Pimenta!

“Não encontramos forma de agradecer tudo o que ele deu-nos, tudo o que partilhou connosco, no que pudemos vamos fazer algo para partilhar, para frutificar e multiplicar o que ele nos deixou. Para além de evangelizar ele foi um padre que se preocupava em educar, formar homens não só para servir a Igreja mas, para estar na sociedade. Ele deixou marcas muito forte nas nossas vidas. O lema dele era “é preciso ter entusiasmo”, e durante os 51 anos em Cabo Verde ele viveu com entusiasmo e, ensinou-nos como deve-se servir e ser entusiasta”, Zaida Sanches, da Comissão Organizadora.

“O Padre Pimenta foi um grande amigo e um mentor para mim e um grande Director Espiritual e Chefe do Movimento dos escuteiros católicos. Eu tive a oportunidade de trabalhar com ele na Diocese de Santiago, onde aprendi muitas coisas, de entre as quais destaco: aprendi a ser cristão consciente, a ser cidadão e a ter uma visão e posição positiva da e na vida.

As coisas que eu mais admirava nele eram a sua entrega aos outros, a sua frontalidade em dizer coisas e a sua capacidade de amar os jovens. Ele amou os jovens de uma forma única. Ele dizia sempre “ Alguém tem que dar a vida por esta causa”. Eu acho que a causa dele sempre foi a juventude, por qual ele sempre viveu. Na minha memória, ficará para sempre aquele sorriso franco e as “palmadinhas” nas costas que ele dava a todo o mundo e as suas célebres frases: “E preciso ter entusiasmo”; “temos que ser santos”; “É preciso remar contra a maré”; “ os jovens são a força da paróquia”, etc. Eu sei que ele estará sempre na vida e na memória dos que tiveram a sorte de conviver com ele”! Jeremias Tavares

“A imagem mais bonita que tenho do padre Pimenta é do homem disponível. Sempre que o chamávamos, não importava se éramos quatro ou dez reunidos, ele estava disponível para nós jovens. Neste momento, lembro-me de um encontro que tivemos no Seminário São José, onde apareceram mais pessoas do que esperávamos e, muitos não levaram comida. Então, o padre Pimenta veio ter connosco, ele vinha de Ponta D’ Agua, onde celebrou a missa de Cristo Rei. Contei-lhe que tínhamos pouca comida então, ele mandou-nos abrir o seu carro e tirar as ofertas que lhe tinham dado na festa de Cristo Rei em Ponta d’ Água, para partilharmos. O que mais marcou é a disponibilidade do padre Pimenta para ouvir os outros e para partilhar”. Dino Gonçalves

“Eu e minha mulher temos boas recordações do padre Pimenta. Ele foi nosso director espiritual. Durante algum tempo frequentávamos o Seminário e sempre que tínhamos necessidade ele estava sempre disponível para nos ouvir. A minha mulher, que ele, carinhosamente chamava de Almadinha, vinha ter com ele quando precisava ele estava disponível para ouvir. Ele foi nosso amigo, conselheiro e um director espiritual”.

“Lembro-me da altura em que frequentávamos o seminário, ele disse-me “Almadinha, peço-te uma coisa, vá à missa todos os dias, que a sua vida vai ser bem melhor”. Ele ajudou na minha vida, na educação dos meus filhos. Sempre que enfrentava algum problema eu ia falar com ele. Conversava comigo, com os meus filhos. Damos louvor a Deus por tê-lo conhecido e por tê-lo como amigo. Foi um pai espiritual na terra, onde ele está eu peço para ele interceder sempre por nós”! Eduardo Almada e esposa

“Nos anos 60 eu frequentava a Igreja do Nazareno, na altura participei, a convite de uns amigos, num campo de férias realizada no seminário são José, onde conheci o padre Pimenta. Foi um campo de férias que serviu durante toda a minha vida, desde então converti-me ao catolicismo. Foi o padre Pimenta que celebrou a missa da boda de prata do meu casamento, Ele preparou-me para a minha confirmação. Era uma pessoa sempre alegre, lembro-me da última vez que nos vimos, ele contou uma piada sobre a cerimónia religiosa realizada aqui na Cruz do Papa onde ele sentiu-se mal. A brincar ele disse que naquele dia fazia tanto sol e, que se o Papa João Paulo II estivesse vivo e presente na cerimónia, e se conseguisse iria até a Praia de kebra Kenela tomar um banho no mar para se refrescar”. Maria das Dores

“Lembro-me que depois da vinda do Papa João Paulo II a Cabo Verde, havia um grupo de jovens que estava a criar o grupo. Então o padre Pimenta disse-me na altura: Martinho desde que saíste do seminário não acho que estejas a professar a tua fé como devia ser”. Eu ainda lhe respondi que ia à missa todos os domingos. Foi então que ele falou que havia esse grupo de jovens que queriam criar a Associação João Paulo II, tens que fazer parte desse grupo”. Eu sou sócio nº 7, quer dizer que sou membro fundador. Isso foi muito forte para mim porque, fora da sua generosidade que ele foi para mim, ele era estava sempre disponível para os jovens e para caçar tesouros. Ele tinha capacidade e dom de ver potencial de jovens e dizer, este serve para determinada coisa. Considero, João Paulo II e padre Pimenta nosso patrono”. Martinho – afilhado do padre Pimenta.

“Vou partilhar convosco um segredo meu e do padre pimenta. Em 1983 meu marido e eu vivíamos uma crise no nosso casamento. O padre Pimenta foi o meu ouvinte, ia ter com ele sempre para falar da situação entre meu marido e eu. Até que um dia, fui ter com ele e perguntou-me: Liloca o que vens fazer aqui?” eu respondi: vim falar consigo sobre o meu marido. Ele respondeu-me: “não fala comigo nada sobre ele. Há uma coisa que eu posso fazer por vocês? Se quiseres eu trato de fazer a vossa separação e obrigo-o a dar-te vencimento para ti e seus filhos, todos os meses”. Então chorei e ele disse: «se estás a chorar, é porque amas o teu marido, então reza, reza”. A  estratégia do P. Pimenta em falar assim comigo deu certo. A partir de então comecei a fazer terço todos os dias, no final da tarde. O meu marido trabalhava no interior e só vinha à asa aos fins-de-semana. Ele chegou a casa e encontrou-a cheio de meninos em oração. Ele foi par o quarto deitar, mas escutava o terço.

Na semana seguinte, quando ele chegou perguntou se os meninos não vinham rezar. Respondi-lhe que sim. Ele juntou-se a nós na sala e rezamos juntos. Isto repetiu-se durante umas cinco vezes. Até que um dia ele chegou do interior, deixou só a bolsa em casa e saiu de novo. Eu fiquei angustiada, lembro-me que a altura o meu travesseiro era sempre molhado de lágrimas.

A tarde ele regressou a casa e disse-me: “prepara-te para irmos à missa.” Eu respondi que não, porque ele já não comungava. E respondeu que naquele dia ia comungar, porque tinha ido confessar no padre Constantina, até contou-me o que disse ao padre.

Foi ele que escolheu a nossa roupa, então fomos a missa, celebrada pelo padre Pimenta. Na hora de comunhão, fiquei sentada com medo de ir para a mesa de comunhão sozinha. Foi o meu marido que me fez sinal e fomos juntos receber a comunhão pelas mãos do padre Pimenta. Ainda no altar o padre Pimenta deu palmas e disse em voz alta: “Liloca, tu venceste, tu venceste”. Aprendi com ele que no desânimo e no desespero devemos rezar sempre. Graças ao padre Pimenta eu vivi sempre em oração. O meu marido faleceu há 27 anos, deixou-me com nove filhos, não tenho nada para dar aos meus filhos senão ensiná-los que devem rezar. Só a oração nos salva”. Liloca

Muitas e muitas mais lembranças e testemunhos ficarão por dizer sobre o padre Pimenta, um homem que viveu com entusiasmo, com alegria, o padre conhecido pela sua sabedoria, simplicidade, disponibilidade e generosidade para com os outros. Partiu mas, o seu legado continuará para sempre.

DS

One Response to “Padre Pimenta é lembrado na vigília de oração”

  • Ir. Orlanda:

    Aprecio imenso estes expressivos testemunhos que descrevem tao bem o saudoso e bom Padre Pimenta, com o qual eu tive a sorte de trabalhar na Paróquia de Nossa Senhora da Graça – Praia. De todas as interessantes experiencias pastorais vividas em colaboraçao com o Pe. Pimenta, destaco apenas uma: a preparaçao do GRANDE E HISTÓRICO EVENTO DA VISITA DO NOSSO QUERIDO PAPA JOAO PAULO II A CABO VERDE em ele apoiou-me incondicionalmente e sempre com grande sorriso e uma serenidade contagiante… BEM-HAJA AMIGO PADRE PIMENTA!!!

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