O diácono António Leal recebeu o ministério diaconal em Dezembro de 2011, na Cidade da Praia, onde passou a ter mais responsabilidades pastorais. Seis meses depois, agora cada vez mais consciente do caminho que escolheu e da missão que o espera, prepara-se para receber o segundo grau que é a ordenação sacerdotal que vai acontecer no próximo dia 17 de Junho de 2012, na Cidade de Assomada, ilha de Santiago, juntamente com mais três jovens colegas da caminhada.  Nas vésperas do grande dia, o site da Diocese de Santiago volta a conversar com este jovem que tem Cristo no centro da sua vida. Nesta entrevista António revela como tem sido os nove meses de estágio pastoral nas três paróquias da ilha do Fogo e como está a ser a caminha rumo a vida sacerdotal.

 – Depois de nove meses de estágio pastoral como avalia esta experiência?

 Tem sido uma experiência gratificante para mim e para a minha formação em ordem a assunção deste grande ministério na vida da Igreja. Tem sido para mim tempo de amar o povo concreto a que Deus me chamou e perceber que isto é algo concreto. Tenho aprendido isto através da experiência pessoal. Foi um ano de capacitação para ser pastor. Saber exercer o poder que Cristo nos dá de governar, ensinar. Tem sido uma alegria enorme celebrar e presidir aos sacramentos, nomeadamente, os baptismos, assistir e abençoar os noivos. Para mim tem sido uma experiencia de ver o poder de Deus a acontecer na vida das pessoas, ver as maravilhas que Deus faz na vida das pessoas através de mim.

 – Em que consistiu na prática esse período nas paroquias (…)?

 Consistiu sobretudo num ir vendo e agindo. Foi um momento de aprendizagem junto com pessoas mais experientes que são os padres José Eduardo e Lourenço. Foi um ano de aprender fazendo e um ano de ganhar solidez a nível psicológico, espiritual e também a nível eclesial, a consciência da Igreja que fui ganhando. Esses meses todos foram para mim um ganho e servirá para vida afora.

 – Como avalia a prática pastoral concreta em relação à teoria que estudada durante os anos de formação?

 A primeira realidade com que me deparei logo no início foi de ver um certo desnível entre aquilo que aprendi na universidade e a situação concreta da pastoral. Em primeiro lugar, o dever de ser padre é estar na paróquia e perceber, caminhar com o povo e servir o povo. Mas não há uma boa prática sem uma boa teoria, por isso, considero que tudo aquilo que aprendi na universidade e no seminário serviu de base para tudo aquilo que pude constatar com a minha própria experiência nas paróquias.

 – De acordo com a experiência vivida, que aspectos pastorais acha que se deva apostar mais?

 A juventude é um campo vasto onde os desafios avizinham-se cada vez mais. Penso que é uma área a qual nós todos como pastores devemos dar uma certa atenção. A família como sendo célula base da sociedade, o lugar da evangelização, penso que é um âmbito que nós devemos de facto priorizar a nossa atenção a nível pastoral. A nível de catequese penso há muito caminho a fazer entre as doutrinas e também … que tem a ver com o conteúdo que transforma e envolve a pessoa. O contacto íntimo com Jesus Cristo o Bom Pastor, penso que é a meta que todos nós devemos ter em conta.

– No seu ministério sacerdotal, estas áreas que destacou irão merecer uma atenção especial da sua parte?

 O programa por excelência é o evangelho. Claro que o Evangelho atravessa de uma ponta a outra estas dimensões todas da paróquia. Para mim, o essencial não é vir com sonhos e muitas fantasias mas, é saber servir quanto eu posso nas realidades concretas que tenho. O grande programa é ser padre, não devo dizer que será este aspecto ou aquele precisa de uma atenção especial mas, o programa por excelência é ser padre para sempre.

 – A sua ordenação vai ser no dia 17 de Junho, menos de um mês, como está a ser estes dias que antecedo o grande momento?

 Estando nos umbrais da minha ordenação sacerdotal, agora tenho um sentimento de gratidão para com Deus e para com as pessoas que me ajudaram a percorrer este caminho. O meu sentimento, como da outra vez, é de entrega é de consciencializar-me que a felicidade está nisso, está na entrega ao serviço dos irmãos e, claro, que desta vez, tendo já o primeiro grau de ordenação que é o diaconal, agora sinto uma certa alegria de poder receber o segundo grau que é o presbiterado, é um sentimento de alegria e gratidão.

 – Como está a ser a preparação para o grande dia?

 Aqui na ilha do Fogo, temos feito vigílias de orações e também encontros vocacionais nas três paróquias. Foram momentos únicos de viver e preparar, tanto eu como a comunidade cristã, este grande acontecimento. Foram momentos de tomar consciência deste grande dom, a consciência de que estou a pisar o terreno sagrado, diante do qual devo tirar as sandálias dos pés. As pessoas mostram de certa maneira próximas de mim neste momento, rezam por mim, estão unidas a mim tanto física como espiritualmente. Alguns vão poder estar presentes no sacramento de ordenação e outros que não vão poder estarão também comigo espiritualmente.

 – O que é que vai mudar na sua vida?

 A nível sacramental, em pessoa sou configurado com Cristo. A nível da dimensão humana sou sempre um homem com esta componente de ordenação, sou eu mesmo mas, também, com consciência clara de que sou presença sacramental de Jesus Cristo de na eucaristia. Penso que é a consciência acrescida desta missão de representar Cristo e agir como Cristo agiu que vai acontecer em mim, que vai passar a ser mais intenso. Desde a ordenação do diácono já foi sendo assimilado e agora e prosseguir nesta missão com mais clareza de espírito com fortaleza de ânimo e com mais serviço.

 – Qual é o lema que escolhido para esta ocasião?

O lema para a ordenação é: “Eu sei em quem pus a minha confiança”. A razão deste lema é mostrar a condição desta vocação. Foi Deus que me chamou, foi Ele que também me acompanhou durante toda a caminhada e será Deus, hoje e sempre, que me vai guiar neste ministério. Eu sei porquê que escolhi amar Jesus Cristo através do sacerdócio, sei porquê que assumi esta vocação na minha vida para o serviço do povo de Deus. “Eu sei em quem pus a minha confiança”, é uma frase marcante e vai me guiar por toda a vida de sacerdote. Como digo em crioulo “ sin scodji Jesus Cristo, n’ka ta fronta, n’sabi na ken kin poi nha konfiasa”.

 O que é ser padre para si?

 A palavra padre significa, a nível etimológico, pai espiritual. Ser padre é saber conduzir as pessoas a Jesus Cristo. Saber orientar as pessoas para a verdade que é Jesus Cristo. Ser padre é na prática servir e amar a Igreja. É representar e agir em pessoa de Jesus Cristo, isto vê-se nos sacramentos, na celebração de eucaristia com o qual o padre se configura com o Cristo. Em primeiro lugar é esta consciência de configuração com Cristo. Exercer todos os poderes que Cristo nos dá, com o serviço. O ponto fundamental de ser padre é também trabalhar isto espiritualmente e na oração vamos conseguir a consistência necessária para ser não só para ter, mas para ser padre.

 Que mensagem quer deixar aos jovens?

 Os jovens constituem a esperança da Igreja, é preciso que eles estejam alerta e conheçam a voz do Bom Pastor. Muitas vezes diante dos ruídos do mundo, das coisas mundanas não conseguem perceber e discernir qual é a voz do Bom Pastor, é preciso ir habituando os ouvidos a Cristo que chama, escutá-lo, rezar mais e procurar criar uma intimidade mais forte com Jesus Cristo para poderem, também corajosamente responder sim a Cristo com a Convicção e com responsabilidade.

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