Dom Arlindo Furtado

Dom Arlindo Furtado

Na passada quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2012, a Paróquia de Nossa Senhora da Graça, na Praia, iniciou a VIII Conferência Quaresmal, este ano sob o lema “A promoção da Paz e da Justiça na verdade para todos”. Um lema que vai de encontro àquilo que foi um Sínodo dos Bispos sobre a Igreja como instrumento de reconciliação, justiça e paz na África e em todo o mundo.

Para dom Arlindo Furtado, bispo da Diocese de Santiago, esta é uma escolha oportuna, tendo em conta as conturbações que se vivem no mundo, em particular na África mas, também devido a situação de violência e criminalidade que vem crescendo, nos últimos anos na sociedade Cabo-verdiana.

“De acordo com a realidade actual, estamos numa situação, que urge retratar este tema, embora alguns defendam que a violência em Cabo Verde é crónica porque viemos de uma sociedade escravocrata mas, isso não é totalmente verdade. O princípio tem alguma veracidade, porque a sociedade escravocrata extravasa as frustrações, os problemas através da violência mas, hoje estamos noutra fase e não justifica a violência actual que temos. A proporção que o fenómeno tomou ultrapassa as situações anteriores”, diz Dom Arlindo Furtado preocupado com a violência urbana no país.

Face ao cenário que se vive, o bispo da Diocese de Santiago garante que a Igreja vai continuar a fazer de tudo, para sensibilizar e preparar as pessoas no sentido de prevenir situações de violência no seio da sociedade. “Conflitos humanos sempre existem mas a forma de resolvê-los deve ser mais adequada, através do diálogo, da reconciliação, da justiça social e boa vontade. Uma sociedade estruturada numa base injusta não pode haver paz, sem justiça não pode haver paz. Refiro a justiça em todos os níveis. A nível de relacionamento familiar, a nível de promoção de respeito, de solidariedade, de amizade e de entre ajuda. Justiça ao nível mais amplo da sociedade como a nível de autarquia, ao nível das ilhas, do país, do sector governativo e da autarquia” alerta o pastor da diocese de Santiago.

Dom Arlindo explica que a Igreja, na sua missão, deve dar exemplo e preparar as pessoas para que cada um seja promotor de diálogo, de respeito mútuo, promotor de uma relação de qualidade, de uma relação justa uns com os outros de amor onde e a caridade fraterna esteja sempre presente.

É de lembrar que na primeira sessão da Conferência Quaresmal de 2012, realizada na semana passada, muitas pessoas que estiveram presentes mostraram-se preocupadas com a dimensão que a violência, a delinquência e a criminalidade estão a tomar na sociedade e muitos questionaram qual é o papel da Igreja face ao flagelo social?

Para Dom Arlindo a Igreja tem tido um papel preponderante na prevenção da situação de violência e criminalidade e argumenta que “Se não fosse a Igreja a situação era bem mais complicada, a igreja é a maior estrutura de suporte de uma sociedade”. No entanto, justifica que nem sempre as acções desenvolvidas pela Igreja são divulgados, porque “é um trabalho capilar” que começa desde a infância, com a catequese e que continua na vida adulta.

A Igreja tem um papel formativo e educativo e preventivo. Embora não haja um destaque especial isso faz parte do processo educativo, de inserção social de cada uma das crianças e dos jovens. A criança que faz um percurso na catequese, participa nas celebrações juntamente com outras crianças diferentes, cresce na fé e torna um jovem com esta experiência de fé, tem uma base que o prepara para viver na paz e a promover a justiça.

“A Igreja incentiva a criação de grupos de jovens com o objectivo de ajuda-los a viver a sua dimensão de socialização, de relação com os outros na normalidade, no diálogo, no relacionamento de respeito mútuo mesmo sendo diferentes. Na família, a igreja lida com muitas famílias tanto como casais e como família no seu todo. Há muitas actividades que a Igreja promove, tudo isso contribui e de que maneira para a estabilização social para a paz social. Aponta o representante máximo da Igreja Católica nas ilhas de barlavento”.

 Dom Arlindo chama atenção de que grande parte de jovens que optam pelo caminho da delinquência são de famílias que muitas vezes não têm nenhuma relação com a Igreja, a maior parte desses jovens até são baptizados, alguns até crismaram mas, romperam com a Igreja. No entanto, diz o bispo “a Igreja vai continuar, de diversas formas, a aproximar-se deles, através de encontros para ajudá-los a integrarem-se, a reflectirem-se, a vencer e organizar as suas frustrações. A nossa sociedade tem muitas frustrações, jovens que terminaram a escola e a formação profissional e que não tem emprego”.

Por ser um fenómeno complexo, muitas questões relacionadas com a violência e a criminalidade têm dimensões que ultrapassam a Igreja. No entanto, Dom Arlindo promete que a Igreja vai continuar a dar o seu contributo de mil maneiras mas, que é preciso que haja outros componentes a nível das associações, da autarquia, do governo para que de facto toda a sociedade ganhe o equilíbrio desejável e necessário para toda a sociedade” remata.

É de referir que Dom Arlindo Furtado vai encerrar a VIII Conferência Quaresmal, no dia 29 de Março do corrente ano, onde vai apresentar o tema Educação para o Amor. O evento vai ter lugar no Salão Paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Graça, na Praia, pelas 17H45.

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