Dom Arlindo Furtado apela ao voto consciente dos cidadãos 

  

Dom Arlindo cumprinenta os fiéis após à Missa de Natal (2010)

Dom Arlindo e fiéis na Igreja Pró-Catedral (2010)

Dom Arlindo Furtado, Bispo da Diocese de Santiago e Administrador Apostólico de Mindelo, tem exortado os políticos e cidadãos a manterem a racionalidade e elevação durante a campanha política para as eleições legislativas de 6 de Fevereiro de 2011.

Dom Arlindo Furtado tem exortado os políticos e cidadãos em geral a manterem a racionalidade nos debates e elevação durante a campanha para as eleições de 6 de Fevereiro de 2011.

Em várias ocasiões o Senhor Bispo Dom Arlindo tem manifestado a posição dele enquanto Representante máximo da Diocese de Santiago de Cabo Verde e Administrador apostólico da Diocese de Mindelo. 

Aproximando-se a data das eleições legislativas, e havendo alguma curiosidade ou interesse à volta da posição da Igreja em relação à política, publicamos aqui a mensagem que a Igreja de Cabo Verde envia aos políticos e aos cidadãos. A todos ele pede “um treino de racionalidade” e aos partidos políticos, contraposição de ideias “com elevação”. Aos cidadãos recomenda um exercício consciente e responsável do direito ao voto.  

 

Com o país em pré-campanha, que apelo lançaria aos partidos políticos? 

  Dom Arlindo: A democracia pode transformar-se numa grande escola de educação para todo um povo. Mas como a emoção tem muito a ver com a espontaneidade, é preciso que haja um treino da racionalidade. Isto depende muito dos adultos, principalmente dos líderes de todos os quadrantes sociais, que têm mais responsabilidades públicas e que devem servir de exemplo. E nós já estamos em pré-campanha eleitoral em que as paixões facilmente se exaltam. Lanço um apelo aos grandes responsáveis políticos deste país para, à imagem de outras boas referências que temos, usarem com elevação a capacidade de contraposição em debates. 

Espero, sobretudo, que os partidos políticos se empenhem em apresentar ideias, programas elaborados para o bem deste povo, para o crescimento e desenvolvimento de Cabo Verde. Desejo que a contraposição, que é salutar e necessária no regime democrático em que vivemos, seja feita com elevação. Isto de modo a que as pessoas aprendam a se respeitar, e o povo, que é sensato, saiba apreciar, ajuizar e fazer a sua escolha em relação a cada uma das ideias ou a cada um dos programas apresentados pelos partidos políticos. A escolha do povo deve ser respeitada em absoluto. Aquele que o povo escolher tem legitimidade para governar este país. 

  

O Bispo vai desenvolver alguma acção nesse sentido? 

Em nome da Igreja Católica, tentarei fazer, sempre que for necessário, a minha parte, apelando a uns e a outros, à racionalidade, à moderação e, sobretudo, à elevação nos seus debates e nas suas intervenções públicas. Isto porque não é só importante o que dizem, como é também importante a forma como o transmitem. Isto tudo para que os seguidores mais novos olhem na atitude dos seus líderes um exemplo a seguir. 

Que preocupações sociais a Igreja gostaria de ver na plataforma eleitoral dos partidos? 

Estamos numa crise financeira mundial, cuja intensidade atingiu de forma significativa Cabo Verde. Vemos isso claramente no elevado nível de desemprego que temos e em alguns projectos, com destaque para os turísticos na Boa Vista e Sal, que ficaram por ser implementados ou inviabilizados. 

Conforme as preocupações sociais da Igreja, os programas políticos deverão, portanto, formar profissionalmente pessoas para um emprego rentável e que seja, ao mesmo tempo, um meio de realização pessoal e promoção social. O trabalho é uma das condições fundamentais da vida humana porque dignifica o homem e garante autonomia às famílias. Mas não basta ter um emprego. Nós temos que produzir riquezas de mil maneiras. É muito importante que haja também uma boa organização e justiça social. A política fiscal deve ser de tal forma que os que têm mais possam ajudar os que têm menos, para que haja um equilíbrio social, reduzindo o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. 

(Extraído do Jornal A Semana, 21 de Dezembro de 2010

Para ler e saber mais sobre este tema, leia aqui a Nota Doutrinal (clique em baixo). 

NOTA DOUTRINAL sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política da CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

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