Dom Arlindo, Pe. João Augusto e Pe. Adérito

Dom Arlindo, Pe. João Augusto e Pe. Adérito

Em entrevista gravada para o nosso site, Dom Arlindo Furtado desafia os cabo-verdianos a não perderem o essencial – a comunhão com Deus e a fé em Jesus Cristo – e apela à qualidade das relações na família e na sociedade.

– Estamos no tempo do Natal. É comum vermos e ouvirmos pessoas e Instituições se desejarem “votos de um feliz Natal”. Nalguns casos até desejam “um santo Natal e um novo ano de Paz”. Que comentários gostaria de fazer a este respeito?

Dom Arlindo Furtado: Penso que é um bom sinal que as instituições e as pessoas em geral falem do natal. Sinal de que a cultura se deixa impregnar da fé cristã. O essencial do Natal é a celebração do nascimento de Cristo que nós, cristãos, celebramos, juntamente com toda a humanidade. Deus veio estar no meio de nós para nos promover, para sermos capazes de nos prepararmos com dignidade, com elevação para vivermos um grande nível de comunhão com Ele. Isto implica uma qualidade de relacionamento dos homens entre si pois na qualidade do relacionamento com Deus e com os homens, na coerência com a nossa consciência, e no desenvolvimento de todas as nossas capacidades, é que nos sentiremos realizados e felizes não só individualmente mas como comunidade.

– O que fazer para que o verdadeiro sentido do Natal não seja desvirtuado?

Dom Arlindo Furtado: Na época em que o consumismo começa a tomar corpo na nossa sociedade, a tendência das pessoas é deixarem-se levar pela superficialidade e pelo que é exterior em vez do essencial. Deve-se fazer tudo para que, conservando o essencial – o amor, a harmonia, a paz, a solidariedade, também se exteriorize esses aspectos na vida sócio-cultural. O ser humano dever ser integral. Tem uma dimensão interior de onde parte a sua essência, que depois se manifesta no exterior. Não pode haver inversão de valores. O exterior deve reflectir a dimensão interior, e não abafá-la.

– Qual o lugar da oração neste processo de ‘voltar à fonte’ do Natal?

Dom Arlindo Furtado: A oração é, naturalmente, uma dimensão importante, que deve melhorar sempre. Na verdade, o que deve haver é o aumento da fé. Quando de facto acreditamos que no Natal é vinda de Jesus ao mundo, para nos unir a Deus e para nos unirmos entre nós, então todas as outras manifestações exteriores ganham sentido. As coisas que utilizamos como sinal de festa e que partilhamos como sinal de alegria e de solidariedade e terão sentido se estiverem em relação com o fundamental que é Jesus Cristo.

– O fim do ano é um tempo de muitas celebrações, de balanços e perspectivas. Qual a mensagem do senhor Bispo para as Diocese de Santiago e do Mindelo, e para os cabo-verdianos em geral?

Dom Arlindo Furtado: A vida é um grande dom de Deus. A nossa vida no mundo desenvolve-se no tempo e somos nós que damos conteúdo ao tempo. Dêmos graças a Deus pelo ano que termina. Espero bem que todos tenhamos feito o esforço necessário para o crescimento pessoal, para realizações de sonhos, dando assim contributo para o desenvolvimento da Igreja e da sociedade. Para o novo ano, 2011, vamos fazer tudo para que os membros da nossa família e a vizinhança sejam mais felizes, mais unidos, mais irmãos. Isto é importante. Que no ano 2011 nós, com a ajuda de Jesus Cristo, que se tornou Emanuel, Deus connosco, façamos o esforço necessário para que continuemos a crescer, crescer como pessoas, na qualidade das nossas relações na família, com o próximo e, sobretudo, crescer no nosso filial relacionamento com Deus, Fonte da nossa vida.

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