19 de Agosto de 2011

A Igreja não cessa de ensinar que todos os baptizados devem ser activos na obra da evangelização

De acordo com o censo 2010 realizado pelo Instituto Nacional de Estatística actualmente 77,7 porcento dos cabo-verdianos dizem ser católicos. Uma percentagem que surpreendeu e que preocupa a Igreja Católica em Cabo Verde. “Antes nós tínhamos a ideia de que a percentagem de católicos no país era maior, mas com este censo verificamos que não, o que nos alerta para ficarmos mais atentos, mais empenhados, para cumprirmos a nossa missão de evangelização em Cabo Verde.» – diz D. Arlindo Furtado, bispo da Diocese de Santiago.

O estudo realizado pelo INE indica ainda que 10 porcento das pessoas inqueridas dizem não ter nenhuma religião. Dentro deste grupo estão sobretudo, pessoas com formação superior e que pertencem a um nível social mais elevado. O grande desafio agora da Igreja é conquistar este grupo de pessoas. “ São gente que acha que a religião é indispensável e para alguns até é motivo de orgulho dizer que não tem religião, o que é absolutamente falso. Nós os cristãos também temos de levar as pessoas a reflectir que nós não vivemos só para este mundo vivemos para o outro mundo, para a eternidade, felizmente a nossa vida não acaba com a morte, não viemos de nós mesmos, viemos de Deus, com Deus vivemos e para Deus caminhamos. Portanto a religião não diminui, não apouca a dignidade da pessoa, muito pelo contrário, garante a minha dignidade e me ajuda a reconhecer nos outros a dignidade que é lhe vem de Deus igual a minha e que as pessoas estejam destinadas a mesma meta que é Jesus Cristo”.

Perante esse cenário a Igreja agora o empenho fundamental da Igreja passa por aquilo que o Santo Padre chama de Nova Evangelização. Essa nova evangelização vai direccionada sobretudo para as pessoas baptizadas mas que aos poucos, por razões diversas foram se afastando da igreja, negligenciando sua fé. Segundo D. Arlindo Furtado essa nova evangelização “vai levar as pessoas a perceber a importância da fé e de estar em comunhão com a igreja”.

Fazer a evangelização é uma tarefa que não deve ser apenas dos bispos, dos sacerdotes, dos religiosos e religiosas, mas que envolve e exige a participação de todos os cristãos.

Dom Arlindo e alguns seminaristas maiores finalistas

Os seminaristas também são desafiados a prepararem-se para a nova evangelização. Durante um encontro com os futuros padres, o bispo da Diocese de Santiago falou aos jovens seminaristas sobre os números de católicos no país e o papel que cada um deve ter na transmissão da Palavra de Deus de forma a reconquistas as ovelhas perdidas e atrair novos para o rebanho do Senhor. Alexandre Lopes, um dos seminaristas presente no encontro, promete desde já fazer o seu papel. “ Estou no último ano de formação, desde sempre investi todo o minuto do meu tempo na minha formação para ser um bom padre. Neste que é um ano de formação pastoral vou dedicar-me ainda mais para quando voltar, estar disponível e preparado para ser um bom padre e agir em conformidade com aquilo que a diocese estabelece”.

Cabo Verde sempre foi um país onde a maioria da população é católica. Nos últimos anos tem surgido algumas seitas e algumas pessoas foram-se afastando da prática da fé cristã de matriz católica, o que constitui uma preocupação para a Igreja no país.

D. Arlindo acredita que em geral os cabo-verdianos vivem sua fé “com alguma convicção”. No entanto, acrescenta que “ há muita gente dentro desses 77,7%  da população que diz ser católica, que precisa de uma formação aprofundada, de forma a aprofundar e vivenciar a sua fé. Hoje não basta vivenciar a fé. É preciso estarmos preparados par poder confrontar-se com outros que praticam outras religiões e que muitas vezes provocam. Nós devemos ser cristãos preparados para poder viver sua fé.

Apesar de ultimamente ter-se verificado com alguma frequência ordenações de padres, a Igreja cabo-verdiana ainda depara com falta de sacerdotes para servir a missão evangelizadora. Precisamos de mais sacerdotes mas precisamos sobretudo de envolver todos os agentes, os leigos capacitados e com alguma disponibilidade para a descentralização das tarefas. Nós temos de envolver leigos em todas as dimensões da vida paroquial, cristã, desde a catequese, a animação litúrgica, desde trabalho social e caritativo, desde administração e gestão da coisa paroquial, portanto desde discussão e definição de tarefas prioritárias e outras decisões pastorais que devem ser tomadas nas paróquias e nas dioceses.” D. Arlindo Furtado.

É pensando nisso que a Diocese está a preparar a criação de escolas de formação que deve começar a funcionar “nem que seja de forma rudimentar no próximo ano pastoral 2011-2012”. Essas escolas têm como objectivo formar leigos, catequistas, formadores.. E quando o projecto ganhar maturidade, servirão para a formação de diáconos permanentes. Quem são os diáconos permanentes? “Homens casados que têm dado alguma prova de serviço comunitário… homens que serão escolhidos e convidados para servir a igreja como diácono permanente, desde que estejam de acordo as respectivas esposas”.

Sagrada Eucaristia na Igreja de N. Sra do Rosário S. Antão. A Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia

A Diocese de Mindelo já tem os futuros diáconos permanentes a fazer estágio nas paróquias. As Dioceses vão tendo ordenações sacerdotais, mas a evangelização, exige o empenho de todos, como reitera Dom Arlindo: «É preciso estarmos preparados par poder confrontar-se com outros que praticam outras religiões e que muitas vezes provocam. Nós devemos ser cristãos preparados para viver sua fé».

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