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O Frei Gilson (1º esq.) é o director do Terra Nova desde janeiro de 3013

Uma rápida viagem pelos 40 anos do jornal Terra Nova (TN) na perspectiva do jornalista Silva Roque e uma apresentação da visão do jornal Terra Nova (da propriedade dos Capuchinhos de Cabo Verde) para o futuro. Este foi um dos objectivos do encontro que teve lugar ontem à tarde na Livraria Pedro Cardoso, na Fazenda.Praia, promovido pela direcção do jornal que nasceu em 1976 e nunca parou de «lutar pela liberdade e pela democracia em cabo Verde».

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O jornalista Silva Roque durante a apresentação do percurso histórico do Terra Nova

Jornal em processo de mudança, conforme pedido pelo Capítulo dos capuchinhos, Terra Nova procura ser fiel ao passado e aberto ao futuro em termos de novidade editorial e de spresentação  gráfica. Mas essas mudanças não acontecerão de uma só vez, adverte o Frei Gilson Frede. Já há alguns sinais, mas isso acontece a pouco e pouco.

Ao falar do jornal TN, que começou na ilha do Fogo, Silva Roque, jornalista disse que ele sempre exerceu «uma função utilitária» desde o tempo do seu primeiro director, frei Fidalgo Barros, que foi um lutador pela liberdade.

Quando o Jornal era considerado como perturbador da ordem estabelecida, chegavam cartaz a encorajar o TN na defesa do povo.
Terra Nova abordou factos da sociedade em geral e da Igreja, estando sempre presente na Diáspora. Com Luis Silva e Domingos Barbosa e tantos colaboradores, TN abordava «diversos temas que constituíam desafios da caminhada rumo ao desenvolvimento do país», disse o apresentador que não se cansou em dizer que foi um jornal que fez política e foi plural já nessa época.

No domínio da literatura o «jornal dos Capuchinhos»  deu voz e vez aos que se iam afirmando em CVerde e na diáspora. Também cantou cabo verde e pela sua plasticidade temática (religião, política, sociedade, cultura, humor etc…) e pela inspiração cristã e tornou-se um jornal de referência porque ousado em enfrentar o partido único e «denunciar as mazelas da sociedade» diz o Silva Roque,  e ao mesmo tempo reflectir sobre a realidade da Igreja em Cabo Verde e no mundo. De tal forma era ´vigiado´ que em certas ocasiões e em algumas instituições  « eram mal vistos os leitores/defensores do Terra Nova.

Para o frei Gilson, «TN nunca foi um panfleto para se usar e jogar fora, mas um documento para se ler e guardar». Tanto que tem sido procurado para consulta e não se encontra um arquivo completo que satisfaça tal exigência de pesquisadores.

A grandeza do TN, «órgão cristão de formação e informação» dependia e depende sua autonomia, defende a nova direcção do Jornal que foi muitas vezes levado ao Tribunal, mas bem nunca se intimidar na defesa da liberdade e da dignidade humana.

«O elogio do passado do jornal «muito nos honra. Diz Frei Gilson, «mas precisamos de novas ideias», continuando a defender os mais fracos e o bem comum.

O que vai diferencia o jornal Terra Nova pós 2013 do de antes?

Há uma «grande diferença», esclarece o Frei Gilson: O Terra nova não é militante embora os colaboradores o possam ser». Não lhe cabe decretar o vencedor e o perdedor (…) mas procura dar um contributo evangélico aos grandes temas da sociedade, diz o director, «usando sempre o princípio do contraditório». Amamos uma igreja e sociedade livres e um TN livre. Apontamos para um futuro de paz e bem.

Depois de 40 anos, o jornal terra Nova sempre saiu, excepto no mês de Agosto, o que é uma proeza em Cabo Verde. Agora saiu o seu nº 442, e continua a sair este que é um dos melhores jornais para promover a autêntica liberdade da opinião pública em Cabo Verde.

Num ambiente sereno, onde as palavras se alternavam com a bela voz de Joel Almeida, os presentes na Livraria Pedro Cardoso apreciaram por mais de uma hora o diálogo sobre o passado e o futuro do Jornal TN que os capuchinhos querem que seja dinâmico e aberto, que não se circunscreva à sacristia, mas continue a contar histórias de alegrias e tristezas do povo de Deus nesta sociedade, na linha do importante documento Gaudium et Spes (Concílio Vaticano II) sobre a Igreja e sua relação com o mundo.

O encontro que foi apoiado pelo Dr. Mário Silva, director da Livraria Pedro Cardoso, Mário Silva,  foi uma bela iniciativa que trouxe para os cerca de 40 participantes a promessa-certeza do director de que o Jornal Terra Nova será fiel ao seu percurso histórico (defesa da liberdade, da democracia e da dignidade humana) e está disposto a levantar novos vôos de renovação na apresentação e, sobretudo, no conteúdo do Jornal Terra Nova. Que apareçam bons colaboradores !

PZB

 

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