No salão da paróquia de Nossa Senhora da Graça com mais de 400 fiéis, o Bispo Dom Arlindo, muito aplaudido à entrada, fez uma explanação animada sobre a evangelização na paróquia, tendo abordado aspectos fundamentais e bem actuais que tema ver com a missão dos evangelizadores nas paróquias: os padres, religiosos e leigos.  Como prometeu,  falou em crioulo no animado debate que se seguiu .

Dom Arlindo à chegada no salão paroquial

Na apresentação do tema,  evangelização e paróquia, Dom Arlindo começou por citar S. Lucas: Tanto amou Deus o mundo que enviou o seu Filho Unigénito não para condenar, mas para salvar o mundo. Desge gesto miseridordioso nde Deus decorre a tarefa da Igreja: anunciar esta Boa Nova da salvação, que é puro dom de Deus. Todos são baptizados, que são a Igreja, têm por vocação fundamental evangelizar o mundo para ‘renovar a sociedade por dentro’. Algo que não é facultativo, mas algo que se impõe, é necessário. Aprofundando um pouco o tema, na sua dimensão teológica, Dom Arlindo lembrou que é do próprio Mistério Pascal do Senhor que brota a missão de ir e anunciar, e que essa tarefa não acontece em nome pessoal (do evangelizador), mas sempre vinculada ao Nome do Senhor. É Ele que envia (Lc 10,1.3) os anunciadores. Quem os despreza, ao Senhor  despreza, e quem os acolhe, acolhe o Senhor.  A origem e a eficácia da obra evangelizadora depende dessa relação pessoal, do encontro com Jesus. E se a obra for bem feita, quem recebe a Boa Nova com a inteligencia e o coração, acaba tendo uma relação vital com Jesus Cristo. Assim, a origem e o fim da evangelização coincidem.

A paróquia é uma família

Feita essa introdução,  dom Arlindo falou de improviso sobre a realidade da paróquia, que ele comparou a uma família, que nasce do amor do homem e da mulher que “se tornam um só”, acolhe a vida e a educa e transmite aos filhos os valores de modo natural. Assim, é natural que seja a família  a fazer essa evangelização básica, que continua numa catequese organizada. A transmissão natural da fé acontecia no período da cristandade, em que o ambiente e a cultura eram estruturados nesse ambiente cristão, pela palavra e pelo exemplo dos pais e avós e da comunidade. Um modo simples e eficaz que funcionou razoavelmente há algumas décadas em Cabo Verde.

Alguns aspectos históricos

Entretanto, tecendo algumas considerações históricas , lembrou a transformação radical ocorrida depois do 25 de Abril de 1975, quando muita gente de formação académica media e alta se afastou, e a Igreja em Cabo Verde ficou com pessoas de baixa formação. Poucas eram as que tinham formação superior e defendiam a fé cristã. A evangelização sofreu um queda nesse aspecto e pastoralmente não terá feito um bom trabalho de acolhimento dos que se afastaram. Houve mais confrontação do que diálogo. Não havendo mais formação moral e religiosa nas Escolas, era a família que devia afirmar-se nesta obra. Propostas para crianças e jovens aconteciam na hora da catequese, e aos poucos se foi minando essa formação na fé. Os filhos das pessoas da classe média-alta podiam acabar por receber alguma instrução religiosa, mas não frequentando os pais, os filhos também cresceram fora desse ambiente de prática da fé. Isso teve reflexos negativos mais tarde, na forma de constituir a família e de encarar a Igreja e a f;e cristã. Ainda temos reflexos disso, mas aos poucos se vai normalizando essa situaçãoentre fé cristã e promoção socio-académica . Entretanto, disse Dom Arlindo, essa crise das décadas de 70-80 aproximadamente, deixou claro que a fé em Jesus fez muita falta na sociedade porque deixou muita falta na orientação equilibrada da família, e em particular, dos jovens.

Entretanto, pelos anos 80-90, foi-se fazendo um  trabalho de a da acolhimento dos que se afastaram, acompanhado de uma proposta de formação em vista dos sacramentos. As exigências continuavam, mas também a Igreja ia dando oportunidade de formação a nível de liturgia, da recepção dos sacramentos, especialmente do Baptismo, Primeira Eucaristia, Crisma e matrimónio. Os jovens (e adultos, e ps repectivos padrinhos), já estariam minimamente preparados para enfrentarem criticas sobre o papel e o valor da fé na soceidade contemporânea.

Evangelizar: dever de todos no âmbito paroquial e na sociedade em geral

A Palavra de Deus e a Liturgia, no centro da Evangelização

No fim de um animado debate com perguntas e sugestões, Dom Arlindo salientou que a paróquia deve ser espaço de formação na fé que acolhe todos as sensibilidades e movimentos. Deixou muitas sugestões sobre como reforçar a evangelização paroquial, salientando bem o papel da escuta e leitura da Palavra de Deus. Reconheceu que quase todos os lares têm uma Bíblia exortou à leitura e meditação diárias.

Mais ideias apresentadas pelo Bispo e pela Assembleia durante o vivo debate

– Formação dos leitores ( no aspecto da dicção, por exemplo) e de todos os que cantam ou proclamam a Palavra na Liturgia

– Melhoria da aparelhagem de som, para uma escuta Sena e de boa qualidade técnica

– Preparação de pessoas para apoiar a paróquia a nível da sonorização

– Cuidar da apresentação (veste( dos leitores, salmistas e cantores em geral), para não distrair

– Cuide-se da pedagogia pastoral que dialoga, em vez de brigar com as pessoas

– Repartir as tarefas para que o padre não fique sobrecarregado demais

– O padre cuide bem da homilia diária e especialemnte aos domingos

– Os leigos exerçam a corresponsabilidade  para serem evangelizadores efectivos

– Os catequistas preparem com mais tempo e atenção a catequese

O Padre Joao, pároco, o Sr Bispo e o Sr. Filomenoo, o moderador em todos os encontros (Esq para direita)

Exortações finais do Bispo da Diocese

“Permanecei firmes na fé”, disse,  lendo Jo 8, 31-32.  Convidou todos a serem evangelizadores que evangelizam do coração para atingir o coração e provocar a conversão do coração e a dar Frutos que permaneçam. E exortou com firmeza e caridade a viver na Verdade que liberta.

O pároco, satisfeito,  e desafiado por muitos pedidos, sugestões, observações, agradeceu uma vez mais e pediu a bênção. Como sempre, o tempo nunca é suficiente para todas as questões e todas as respostas. Qiue venham mais conferencias em mais ocasiões, foi um pedido geral e constante.

Com a oração do Pai Nosso e a bênção deu-se por concluída a última sessão de ciclo de conferências, que este ano teve a animação musical de diversos coros das comunidades da paróquia.

 

NOTA

Ajuda do site da diocese: O nosso site (www.diocesesantiago.cv) propõe todos os dias leituras e o método da leitura orante da Palavra de Deus. Confira no link Boa Nova para hoje e Liturgia do Dia). Espalhe esta informaçao entre os seus amigos.

PZAB

One Response to ““Evangelizar a partir do coração para chegar à conversao do coração”: Dom Arlindo na conclusão das conferências quaresmais (Praia)”

  • You can definitely see your enthusiasm in the work you write.
    The world hopes for even more passionate writers such as you who aren’t afraid to mention how they believe. At all times go after your heart.

Deixe um comentario

Categories