Archive for the ‘Dom Ildo Fortes’ Category

O site da Diocese de Santiago publica a seguir, na íntegra, a entrevista de Dom Ildo Fortes ao Jornal Expresso das Ilhas. Entretanto, ressalva que Dom Ildo fez notar no blog da diocese: «esta Entrevista, há uma gafe (intencional ou não, não sei) do jornalista que escreve num dos subtítulos: «A Igreja não pode procurar em cada tempo renovar-se e adaptar-se». É uma deturpação do que foi dito por mim (o entrevistado), e que é precisamente o contrário. A frase correcta e que vem mais à frente no corpo do texto é: «muito mau seria se a Igreja não procurasse em cada tempo renovar-se e adaptar-se».

Segue a entrevista, com o título do Jornal.

É preocupante o aproveitamento impróprio das celebrações religiosas

  • Escrito por António Monteiro

É preocupante o aproveitamento impróprio das celebrações religiosas

 

Vamos celebrar a alegria da vida nova. Não tenhamos medo de experimentar e colocar Deus nas nossas vidas e nos nossos programas. É esta a mensagem que o Bispo do Mindelo deixa aos cristãos para esta semana santa. Entretanto, Dom Ildo Fortes alerta para a “onda e a cultura generalizada de fazer um aproveitamento dos diversos momentos consagrados à tradição da vida cristã para outros fins, muitas vezes impróprios, contrários ou até incompatíveis com a dignidade do que queremos celebrar”. Nesta entrevista via e-mail, Dom Ildo Fortes aborda várias questões relacionadas com a Diocese do Mindelo, tece considerações sobre as seitas religiosas, o desemprego e o papel das novas tecnologias no anúncio do Evangélio. O significado da renúncia de Bento XVI e as perspectivas do novo pontificado do Papa Francisco são outros dois tópicos obrigatórios desta entrevista.

Expresso das Ilhas – Reverendíssimo Bispo, o que significa celebrar a Páscoa nos dias que correm?

Dom Ildo Fortes – Para os cristãos, celebrar a Páscoa hoje tem o mesmo significado dos tempos passados, pois é a celebração do Mistério central na vida dos cristãos. A Páscoa é a festa da Vida. Esta é a primeira e a maior de todas as festas cristãs; nela celebramos o maior e o mais belo acontecimento da história da humanidade: a Morte e a Ressurreição de Jesus Cristo, Filho de Deus. Páscoa significa passagem: Passagem da morte à vida, das trevas para a luz, do pecado que nos escraviza à graça que nos liberta e nos restitui a vida interior. A Páscoa, acontecimento da nossa salvação está preenchida por uma carga de amor sem fim. Sempre que nos despedimos do homem velho, feito de egoísmo, ódio e injustiça e abraçamos o homem novo, capaz de amar e servir na verdade os irmãos, acontece a Páscoa no nosso coração e no mundo. Mas isso só possível com a ajuda d’Aquele que venceu na Cruz – Jesus Cristo; pois a nova Páscoa é Ele mesmo.

 

Para muitos cristãos a Semana Santa já só significa umas pequenas férias. Preocupa-lhe isso?

Para muitos cristãos, não!… Para alguns que se dizem cristãos! Felizmente são muitos os que cada ano têm vindo a descobrir a beleza e a alegria de celebrar a Páscoa com as suas comunidades. Os que verdadeiramente são cristãos assumidos não deixam de viver este momento mais alto da sua vida na fé em Igreja. Podem não vivê-lo na comunidade onde vivem habitualmente, porque aproveitam estes dias para viajar, ver a família, e porventura fazer umas mini-férias, etc, mas vivem-na nesses outros lugares. Fui pároco durante vários anos, e de facto, nesses dias festivos, alguns que fazem parte da paróquia estão ausente, e em contrapartida temos muitos outros que vêm à missa e que não frequentam habitualmente a paróquia. Preocupante é esta onda e a cultura generalizada de fazer um aproveitamento dos diversos momentos consagrados à tradição da vida cristã para outros fins, muitas vezes impróprios, contrários ou até incompatíveis com a dignidade do que queremos celebrar.

 

Instituições e poderes locais atropelam celebrações religiosas

 

Ninguém está obrigado a celebrar a Páscoa cristã; mas a liberdade religiosa consagrada na nossa constituição deveria oferecer condições favoráveis para que os cristãos pudessem celebrar bem aquilo que para eles é mais sagrado e em dias especiais (p.e. Quarta-Feira de Cinzas, Sexta-Feira Santa, Sábado Santo); em algumas localidades e infelizmente com o apoio das instituições e poderes locais já tem acontecido or-ganizações de actividades que atropelam e ofendem as celebrações religiosas. Deveríamos saber respeitar uns aos outros, porque afinal é isso que torna bela a nossa vida e a nossa convivência social.

 

Os valores cristãos são imutáveis ou têm também de se adaptar aos novos tempos?

Seria bom especificar de que valores estamos a falar! Pois, os valores que fazem parte da essência dos cristãos não poderão sofrer mudança, senão deixaríamos de ser cristãos. Os cristãos não inventam valores; se dizem cristãos esses valores, é porque são uma herança do próprio Cristo que nos ensinou a amar como Ele ama, a servir como Ele serviu e a viver como Ele viveu. Sociedades como a nossa cabo-verdiana têm felizmente um vasto conjunto de valores que herdamos dos nossos pais e que radicam no Evangelho que a Igreja trouxe a estas terras, já lá vão 500 anos. Não é por acaso que na alma da nossa gente há uma força dinamizadora que nos faz lutar pela justiça, pela paz, pela dignidade da pessoa humana, pela liberdade e pelo bem de todos. O bem integral do Homem, o respeito incondicional pela vida humana está no centro dos valores cristãos e isso não poderá mudar jamais.

 

A Igreja não pode procurar em cada tempo renovar-se e adaptar-se

 

Outras coisas acessórias, algumas tradições, hábitos e costumes ou ritos que certamente fazem parte da vida dos cristãos em determinadas épocas podem mudar. Pois, muito mau seria se a Igreja não procurasse em cada tempo renovar-se e adaptar-se. Renovação, contudo, para a Igreja é procurar ser coerente consigo mesma, com aquilo que Ela recebeu e caminhar com os homens do nosso tempo mas sem ir a reboque do que o mundo pensa ou a maioria acha. A Igreja é perita em humanidade, como afirmava Paulo VI, (Populorum Progressio).

 

A Diocese do Mindelo tem uma página no Facebook. Como vê as novas tecnologias de informação e comunicação? Quais as chances e perigos destes novos meios?

As novas tecnologias de informação são uma excelente oportunidade para a Igreja e para o anúncio do Evangelho. Aliás, diga-se que a Igreja desde os seus primórdios, e já lá vão vinte séculos de história, sempre procurou os areópagos e as formas de comunicar para interagir e fazer-se próxima da sociedade onde ela está implantada. É incontável o número de jornais, boletins, rádios, Tv e hoje sites, blogues, etc. que diariamente estão ao serviço da Igreja. Neste mundo cibernauta é importante explorar e caminhar ainda muito mais do que já fazemos. Eu desde há muito que me sirvo de todos estes meios de comunicação para comunicar e fazer passar a mensagem que tenho a missão e o dever de anunciar. Perigos, há sempre. Mas quem não arrisca, quem tem medo, fica paralisado e não avança!

 

Várias seitas religiosas aproveitam-se destes meios, sobretudo da televisão para vincularem a sua mensagem de forma permanente e activa. É um fenómeno passageiro ou a Igreja Católica terá também de lançar mão desses instrumentos?

As seitas têm uma actuação e uma abordagem que assentam muito na insistência e muitas vezes de uma forma agressiva. Com frequência violam a liberdade e a consciência das pessoas para impor a todo o custo as suas doutrinas. Têm também um grande suporte financeiro que lhes permite usar as mais avançadas tecnologias para as suas campanhas.

 

As seitas vão e vêm, mudam de aspecto com a maior facilidade

 

É um fenómeno passageiro sem dúvida mas que entretanto faz muitos estragos. As seitas vão e vêm, mudam de aspecto com a maior facilidade consoante as conveniências. Em todos os tempos tem havido seitas que infelizmente explorando a fragilidade psíquica das pessoas causam muitos danos na vida espiritual, material e, pior ainda, causam muitas divisões e contendas até no seio das famílias e das sociedades, dadas as suas posições extremistas, radicais, fundamentalistas e pouco dialogantes. É preocupante sim este fenómeno satélite das grandes religiões, pelo grande mal que causam nas pessoas e pela cultura do medo, insegurança e instabilidade social que fomentam. A Igreja por sua vez não deixa de usar os novos meios de comunicação para realizar a sua missão. Todavia, não se serve deles para impor mas sim para propor uma mensagem libertadora e de vida nova.

 

O Racionalismo Cristão celebrou há dois anos o centenário da sua existência em Cabo Verde. Tem uma forte implantação em São Vicente e nas ilhas sob jurisdição da Diocese do Mindelo. É já altura para uma sã convivência com esta doutrina?

Sã convivência com as pessoas sim e é desejável. Faz parte das regras em sociedade; outra coisa bem diferente é querer fazer conviver doutrinas contrárias. O racionalismo cristão leva o nome de cristão mas as suas doutrinas e as suas práticas são muito contrárias àquilo que a Bíblia e Jesus Cristo nos ensinaram. Falo sobretudo no modo de evocar e relacionar-se com os nossos irmãos defuntos.

 

O racionalismo cristão e as suas práticas de espiritismo tendem a desrespeitar a harmonia que o Evangelho anuncia.

 

Temos uma doutrina tão bela e cheia de esperança na Vida Eterna e temos uma relação tão saudável com a vida depois da morte, mas o racionalismo cristão e as suas práticas de espiritismo tendem a desrespeitar essa harmonia que o Evangelho anuncia. Nós acreditamos na Ressurreição dos mortos enquanto o racionalismo afirma a reencarnação. No fundo fica de lado toda a novidade da Redenção que Cristo veio realizar e a libertação do homem fica comprometida. Talvez fosse bom recordar a doutrina da Igreja sobre alguns pontos: «Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente «reveladoras» do futuro. A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia (leitura das mãos), a interpretação de presságios e de sortes, os fenómenos

de vidência, o recurso aos “médiuns”, tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele. […] Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele.» (Catecismo da Igreja Católica, nn. 2116, 2117)

 

Foi ordenado bispo há justamente dois anos. Na altura elegeu como prioridade do-tar as paróquias e a Diocese de espaços e infraestruturas para desenvolverem os seus trabalhos e capacitar os agentes pastorais para o seu trabalho de evangelização, através de vários cursos de formação. Quais destes objectivos alcançou neste curto espaço de tempo?

Aquando da minha eleição episcopal, fui claro ao afirmar que o «meu» programa é o da Igreja; A Diocese de Mindelo não começou há dois anos! A formação dos agentes e as infraestruturas pastorais não são um fim em si mesmo, estão na linha daquilo que nós em Cabo Verde e a Igreja em geral têm apostado: A Nova Evangelização. Mostrar ao mundo a beleza da Boa Nova de Jesus Cristo, o único que nos enche de autêntico sentido na vida e como tal realiza a nossa salvação. E neste sentido, temos continuado e actualizado esse programa que já encontrei em Mindelo. A aguda situação de crise financeira, sobretudo na Europa, onde estão os nossos principais benfeitores e parceiros tem feito abrandar o ritmo de investimento no sector de melhoramento e edificação de novas estruturas, tão necessárias para a Igreja poder desenvolver as suas actividades com melhores condições e autonomia.

 

O desemprego em São Vicente apresenta o mais alto índice de todo o Cabo Verde. Na juventude poderá situar à volta dos 50 por cento. Como é que a Diocese assiste a esta situação?

Vivemos essa realidade social com muita preocupação, tristeza e com um sentido de solidariedade. O nosso papel, quando não está ao nosso alcance fazer mais, é sobretudo semear a esperança; não se pode sucumbir ou capitular diante dos problemas. Estas dificuldades do tempo presente e para as quais vamos tentando chamar a atenção dos principais responsáveis neste capítulo, são ao mesmo tempo um apelo forte a uma maior solidariedade entre as pessoas, famílias e instituições. A Igreja tem um organismo, a Caritas que está vocacionada para promover, através da caridade cristã, a assistência e a promoção integral dos menos favorecidos. Este organismo tem como orientações fundamentais a Doutrina Social da Igreja, atribuindo prioridade às situações mais graves de pobreza e de exclusão social.

 

As ilhas do Sal e da Boa Vista sujeitas a forte pressão turística colocam problemas diferentes à missão da Diocese do Mindelo?

Obviamente. Apesar de sermos a mesma Igreja e termos um plano pastoral definido para toda a Diocese, as diferentes ilhas apresentam situações e desafios específicos que merecem uma resposta apropriada. As ilhas do Sal e da Boa Vista, pela grande mobilidade humana que caracteriza o seu quotidiano, o ritmo laboral novo que experimentam e a variedade étnica e cultural que convivem permanentemente no mesmo espaço geográfico, requerem uma pastoral que vá de encontro à vida dessas pessoas. Não é a mesma coisa o «clima» e a assembleia dominical em Santa Maria que na Ribeira Brava; a composição dos grupos de jovens e da catequese em Sal Rei na Ponta do Sol ou na Ribeira Grande. Por isso, essas paróquias (do Sal e da Boa Vista) têm feito um trabalho notável no que diz respeito ao acolhimento, ao acompanhamento de situações sociais difíceis, à adaptação às novas situações.

 

O novo Papa Francisco foi eleito num contexto de crise mundial. Qual irá ser o seu papel neste cenário difícil?

O cenário difícil e de crise, é uma boa oportunidade para o novo Papa e para a Igreja anunciar o Evangelho da esperança. Onde há sombras e trevas, dúvidas, angústia e dor, os cristãos encontram um caminho aberto para levar a luz, a confiança e a alegria. Contamos com este Papa para reavivar a fé da Igreja e dos homens. Ele vem ajudar a humanidade a sentir que quem acredita em Deus nunca estará só, como dizia o seu predecessor Bento XVI. O Papa Francisco, vindo da América Latina e de um país onde a fé é uma riqueza, esperamos que traga, para a Igreja Universal, a experiência de uma Igreja simples e próxima dos pobres, jovem e viva.

 

Pensamento social do novo Papa poderá ajudar a fazer face ao actual modelo económico que está esgotado

 

O seu pensamento social, fruto natural do confronto e da convivência próxima com uma sociedade marcada por grandes injustiças, desigualdades e situações de pobreza, poderá ajudar a fazer face a este modelo económico, que está esgotado.

 

Que esperança e alegria poderá Francisco trazer aos milhões de deserdados?

Já estamos a sentir que este Papa, profético e carismático, é um anúncio vivo da liberdade, da abertura à diversidade e à pluralidade. Ele vai trazer sem dúvidas um grande contributo para uma boa leitura dos ‘sinais dos tempos’. No dizer de Dom Manuel Clemente, Bispo do Porto, “esta saída do papado da Europa para a América Latina acerta o ritmo da Igreja com o ritmo do mundo”. Alegria e esperança, têm sido os sentimentos que ele tem transmitido a todos, sobretudo aos mais pobres e desfavorecidos. E isso mesmo denota-se em cada um dos seus gestos. O mundo precisava disto também. Na Igreja, surpreendente e bonito é que cada Papa, com a sua personalidade e com a sua missão, tem trazido um contributo riquíssimo para os fiéis e para o mundo.

 

Proteger, defender, guardar bem cada pessoa e toda a criação com respeito, amor e ternura foi a síntese da primeira homília do Papa Francisco. Que mensagem quis passar?

Primeira homília, não. Homília na missa inaugural do seu Pontificado (19 de Março). A mim, parece-me que o Papa de uma forma simples, humilde e magistral quis chamar a atenção de toda a humanidade para a responsabilidade e cuidado pelo universo criado e sobretudo pela vida humana, que tem sofrido tantas ameaças, atropelos e atentados à sua dignidade nestes tempos modernos. Foi um apelo profundo à fraternidade, à ecologia e à paz a todos os níveis.

 

O lema do Ano da Fé na Diocese de Mindelo é “Alegria de Acreditar”. Qual o seu significado?

O nosso lema vem na senda do Ano da Fé que estamos a viver. Um ano proclamado pelo Papa Bento XVI (11 de Outubro de 2012 a 24 de Novembro de 2013) para comemorar os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, um dos maiores acontecimentos dos últimos tempos e com repercussões na vida da Igreja e do mundo em geral. Em síntese o Papa convida os cristãos a professar, celebrar, viver e rezar a sua fé. Há que celebrar com beleza e testemunhar com alegria o tesouro da fé cristã. Quanto à nossa Diocese, pareceu-nos que uma nota característica de quem acredita em Deus é a alegria. O mundo tem necessidade de quem testemunhe a alegria de viver. Daí a expressão: Alegria de Acreditar.

 

O Papa Bento XVI renunciou ao poder, o Papa Francisco coloca-se ao lado dos pobres. Qual o significado destes dois gestos e que repercussões poderão ter para os poderosos e políticos que se eternizam no poder e para os pobres só lançam migalhas?

O gesto de Bento XVI, foi surpreendente. É sinal de grande lucidez de espírito e amor à Igreja, ao mesmo tempo que revela uma profunda humildade e coragem. O poder na Igreja é serviço. Seria bom que os dirigentes do mundo inteiro, e não precisamos ir muito longe, basta olhar a nossa África onde muitos se digladiam pelo poder a todo o custo, se deixassem tocar por este exemplo tão nobre e edificante. E acredito que vai fazer efeito junto da classe política e governamental bem como também dentro da Igreja em geral. O Papa Francisco é o rosto daquilo que deve ser a Igreja: simples, humilde e preferencialmente do lado dos mais pobres. Claro que as palavras falam, mas ele tem fa-lado sobretudo com os gestos; e aquilo que entra pelos olhos surte mais efeito do que aquilo que entra pelos ouvidos.

 

Comemora-se esta quarta-feira o Dia da Mulher Cabo-Verdiana. Que mensagem queria enviar a todas as cabo-verdianas?

Diria às mulheres cabo-verdianas, que ao longo da nossa história elas têm tido um papel heroico no seio das nossas famílias e comunidades. Merecem a nossa profunda gratidão e respeito! Que não tivessem medo de assumir mesmo que seja com sacrifício, o papel de proteger, defender, guardar (no dizer do Papa Francisco) a vida e os membros da família pela qual somos todos responsáveis. Deus que é Pai e Mãe, recompensará! A nossa sociedade actual necessita urgentemente de quem se comprometa seriamente, com sentido de amor e responsabilidade na educação dos homens e mulheres de hoje e de amanhã. Cabe a todos essa missão, aos pais, aos homens também; mas a figura feminina e materna é insubstituível.

 

Que esta Páscoa não seja apenas mais uma festa

 

Que mensagem deixa aos cabo-verdianos para esta Semana Santa?

Vamos celebrar a alegria da vida nova! Não tenhamos medo de experimentar e colocar Deus nas nossas vidas e nos nossos programas; este Deus que ama loucamente a humanidade ao ponto de nos dar o melhor que tinha: Jesus Cristo. Cristo Ressuscitado que celebramos em cada semana santa é a resposta de Deus ao mundo; estamos habituados a «cair» em tantas festas e comemorações. Que esta semana especial e esta Páscoa não seja mais uma entre tantas. As festas na maioria das vezes tornaram apenas momentos de evasão, são apenas do nosso tamanho, valem o que valem. Passamos uns bons momentos, rodeados de muita gente e com muito divertimento à mistura, mas acontece também e dramaticamente que muitos no fundo não se encontram consigo nem com ninguém nem com a alegria verdadeira. Andamos de festa em festa, de efeméride

em efeméride à procura daquilo que raramente se encontra, precisamente porque isso está dentro de nós. A semana santa tem o seu momento culminante na Vigília Pascal (sábado santo à noite) e no Domingo de Páscoa: Festa da reconciliação e da alegria, o encontro do homem com Deus.

 

Dias de paragem e reflexão

 

Estes dias bem aproveitados são uma boa ocasião para uma paragem e alguma reflexão. Poderíamos na sexta-feira, dia da Paixão do Senhor, ir até uma Igreja, contemplar este desconcertante Mistério da Cruz do Senhor – uma tensão entre a violência dos homens e a ternura de Deus, sempre actual. Nela aprendemos o que é amar. Na Cruz de Jesus, floresce a árvore da Vida e encontramos o caminho para a verdadeira paz e para a realização que tanto buscamos. Uma Santa Páscoa para todos!

 

domingo, 31 março 2013 01:

Fonte: Expresso das Ilhas
Dom Ildo Fortes, Bispo de Mindelo

Dom Ildo Fortes, Bispo de Mindelo

De Roma onde está desde o passado dia 2, Dom Ildo, Bispo de Mindelo, dirigiu-se aos seus «Caros irmãos diocesanos e amigos» partilhando algo do Seminário de Formação para os novos bispos que decorre até o dia 16 de Setembro «Está a ser uma experiência magnífica de comunhão e universalidade de fé e culturas. Read the rest of this entry »

 

 

 

“Os nossos jovens precisam crescer mais na dimensão da responsabilidade para que, assim, possam melhor viver a sua sexualidade”. Esta é a posição do Bispo de Mindelo, a propósito do Dia Mundial do Combate à Sida (01 de Dezembro). Dom Ildo Fortes explica também qual a posição da Igreja Católica perante o preservativo e deixa um desafio aos jovens.

Mesmo não sendo Cabo Verde dos países mais afectados pelo VIH/Sida, Dom Ildo Fortes alerta que a doença está, muitas vezes, associada a desinformação e a alguma pobreza. “Estamos convictos de que uma vivência saudável de afectividade e sexualidade é o melhor caminho para que
os jovens possam mais livre deste problema”, afirma aquele que foi ordenado bispo para Diocese de Mindelo a 03 de Abril deste ano, em Lisboa (Portugal).

Mais do que isso, para ele, “está mais do que comprovado que quem vive uma situação sexual activa dentro do matrimónio e com fidelidade está mais longe de ser contaminado com o vírus do VIH-Sida”.

Recomendado pela Organização Mundial da Saúde como um dos métodos para prevenir doenças sexualmente transmissíveis, o uso de reservativos tem causado varias discussões, que não deixam os responsáveis católicos fora da polémica. Dom Ildo acredita amiúde, que “os nossos discursos ou posições visam apenas minimizar as consequências em vez de ir à raiz do problema.

Posição da Igreja

No caso da Igreja, explica o Bispo do Mindelo “para aqueles que não estão de facto na linha de viver os valores cristãos, a Igreja até aconselha que use o preservativo e que faça tudo para não propagar o mal. Não seria razoável para nós termos outra posição” Mas, para quem deseja viver segundo os valores do evangelho” acrescenta, “o uso do preservativo nem se coloca porque o acto sexual deve ser responsável e não furtuito. Deve ser um acto que se abre à vida e é por isso que a igreja considera que tudo aquilo que e um impedimento para a promoção da vida não é bom”.

Mais importante de tudo, Dom Ildo Fortes diz encarrar a “verdadeira vivência da sexualidade” como “meio de felicidade e de uma maior plenitude da vida”. As paróquias, por serem as instâncias mais próximas das populações, têm feito um trabalho de sensibilização com os jovens para viverem bem a sua “dimensão afectiva e sexual” porquanto “a fé diz respeito a tudo quanto faz parte da nossa vida, garante o bispo. “Mas sinto que os nossos jovens precisam crescer mais na responsabilidade. Fazendo uma avaliação da actualidade podemos constatar que muitos jovens – dentro ou fora da Igreja. Ainda não cresceram em maturidade humana desejável para vivermos uma relação sexual responsável e exigente”, remarca.

No entender daquele prelado este é, se se quiser, o desafio que deixa a todos os católicos e não, de modo a “que possamos crescer ainda mais nesta dimensão da responsabilidade porque ela irá ajudar-nos a ser mais plenamente realizados e felizes”.

Fonte: A Nação edição nº 221 de 24 a 30 de Novembro.

“Foi o amor à Igreja e não a realização de uma aspiração pessoal que me levou a aceitar esta nova missão na Igreja”. Foram palavras de Dom Ildo na homilia da Eucaristia solene de ontem, dia 10, depois da sua tomada de posse.

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A vigília conclusiva da corrente de oração pelo bispo Dom Ildo, novo bispo de Mindelo, aconteceu nas 14 paróquias da Diocese de Mindelo. Na paróquia de S. Vicente foi por volta das 19.30, a seguir à Eucaristia presidida pelo padre Ad’erito e concelebrada pelo padre Adriano, vigário paroquial de S. Vicente e por mais 3 padres vindos da diocese de Santiago.

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A tomada de posse do Novo Bispo é um evento anunciado por alguns outdoors na cidade de Mindelo

Dom Ildo Fortes entra solenemente na sua diocese amanhã, dia 9. A azáfama que a preparação do  seu acolhimento impôs está quase a chegar ao fim, mas ainda pode-se perceber que faltam alguns detalhes para que tudo “dê certo, como vai dar, pois houve um grande empenho de pessoas e instituições para uma digna preparação deste acontecimento”- assegura o presidente da Comissão Central, o Padre Lino Paulino, pároco de Nossa Senhora da Luz.

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Dom Ildo Fortes, Bispo de Mindelo
Dom Ildo Fortes, Bispo de Mindelo

DOM ILDO FORTES FARÁ A SUA ENTRADA SOLENE NA DIOCESE DE MINDELO NO PROXIMO SÁBADO, DIA 9 de Abril

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